domingo, 23 de janeiro de 2011
Há um tempo atrás, ouvi algumas pessoas falando sobre haver uma nova censura no País. Pensei tanta no fato, tive tanto medo, que mudei de assunto. Hoje, vejo que o Governo não precisou impor uma censura, muito pelo contrário. A alienação, na sua mais escondida forma, já faz o papel, implícita nas menos esperadas maneiras. Que me venham os corpos carnudos e seminus do Zorra Total e as piadas das novelas do Caceta&Planeta, isso que irá me fazer rir. Esquecerei das piadas sarcásticas sobre o método falho dos impostos, o que é legal é passar numa faculdade particular e não querer saber de quem passou numa pública, não querer lembrar que há o preço do ensino público enquanto o salário suado do mês vai embora com a educação privada. Ter vergonha, ter raiva, isso que importa. Engraçado mesmo é olhar na televisão e ver um nordestino ser empregado em todas as séries e miniséries e o negro ser usado, simplesmente, pra escravo em novela de época. Igualmente o fato de escrever, Ricardo: sentenças curtas, textos pequenos. O povo não quer perder tempo lendo o que não interessa se há uma imagem colorida e chocante falando sobre as novas modas correndo todos os cantos da casa. Gastem seus salários com os dízimos sociais, com o enriquecimento político. Claro, enriquecimento político do País, não podemos esquecer desse desenvolvimento. A política enriquece cada vez mais, graças a Deus. Com salários aumentados em mais de 60% todo ano, os deputados, senadores, filhosdaputa, prefeitos e quaisqueres são a cara do enriquecimento nacional. Eles e nós, que ficamos aqui olhando com o olho cada vez mais gordo. É linda a noção de igualdade, comove-me. Pra frente, Brasil, ame-o ou deixe-o, com suas guerras entre norte e sul por um resultado sobre presidentes, com sua piada ótima e nada repetida nos programas nacionais, com seus biquines. Pra frente, Brasil. Pra frente, sociedade. Pra frente, alienação. Pra trás, ironia.
sábado, 8 de janeiro de 2011
Aqui se aprende a defender a Pátria.
Hipocresia. O caralho, isso sim. Amo e defendo-a todos os dias. Não necessito um local, um âmbito ou uma desculpa pra fazê-lo. A choro e reclamo, defendendo com dentes cerrados e pedaços de mim sempre que posso. Um coração de veias verdes e artérias amarelas, um cocar invisível e afável, airequecê por trás das nuvens e o tempo foge, procurando Aracy. Ro haihu, Brasil. Apesar da tua democracia falha e todos os mistérios da tua miséria, eu sei que em outras mil, és tú. No ame-o ou deixe-o, deixaria, com os olhos pesados e as mãos atadas, segurando a garganta que se esguelaria em silêncio, mas voltaria e sentiria intensa saudade se não o fizesse. Que tempos foram estes, Pátria? Megalomania ou, simplesmente, o preço do 'avanço'? A piada esconde a seca ironia que se faz com sangue, as almas ainda vagam atrás das famílias que sangram os conceitos.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
A viu de costas, indo embora. Então pensou e decidiu, foi atrás. Do outro lado da porta de vidro, viu a silhueta esvaindo-se por trás da chuva. Correu. Abraçou-a. Não pareceu ter sido pertubado pelos trovões das nuvens que também se abraçavam acima. Seus olhos também choveram. Ela o soltou e partiu. Ele ficou. Ela parou, ela voltou, ela disse
- Esqueci de dizer adeus.
Deu e retomou. Ela pode salvá-lo, mas preferiu vê-lo morrer de longe. A volta ao hospital foi, apenas, pra morrer sob um teto. Abriu porta, passou porta, fechou porta, sentou chão, morreu porra. Ela, na chuva, o viu sentar pra esperar a morte, viu que ele morreu e sorriu.
- Acabou.
- Esqueci de dizer adeus.
Deu e retomou. Ela pode salvá-lo, mas preferiu vê-lo morrer de longe. A volta ao hospital foi, apenas, pra morrer sob um teto. Abriu porta, passou porta, fechou porta, sentou chão, morreu porra. Ela, na chuva, o viu sentar pra esperar a morte, viu que ele morreu e sorriu.
- Acabou.
sábado, 1 de janeiro de 2011
Existe um leque imenso de sentimentos, com suas subdivisões e polimerizações, mas não há nada que maltrate mais do que a voz. Mesmo assim, a pior tortura é o silêncio. Nada mais, nada menos, senão o silêncio. Ácido, ele corrói os canais auditivos como só um inimigo invisível pode fazer. O faz com a clareza de um assassino, com a frieza de uma equação matemática, e, assim, separa os amores.
Fim.
Fim.
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