terça-feira, 31 de maio de 2011

Eu falei sobre educação bem superficialmente há um tempo. Quem lembra, lembra. Quem não lembra - hora do desvaneio de escritor conhecido - procura no post passado, eu acho. Algo do tipo. Vi uma frase com traduz com extrema exatidão o que o país precisa, o investimento não é só em educação, mas, sim, em educação qualificada. A frase é essa: por uma educação que nos ensine a pensar e não que nos ensine a obedecer. Simplesmente. Pras pessoas que choram perante a falha na constituição ou sob o manto verde que se rasga de tanta corrupção, isso é tão impactante quanto enfrentar o fascismo de peito aberto. Eu te amo, Brasil. Me envergonho, é claro. Mas, acima de tudo, eu te amo.

domingo, 22 de maio de 2011

http://www.youtube.com/watch?v=fCfxshW2OME&feature=youtu.be

Eu, sinceramente, fico triste. Antes de começar a falar sobre o vídeo em si, uma breve explicação sobre a maneira que eu escrevo: escrevo exatamente o que eu vivo e o que eu vejo. Dizem que escrevo de uma maneira muito violenta, de uma maneira exagerada. Isso é verdade, escrevo assim porque é esse o círculo que me cerca. Sou bombardeado por assassinatos e roubos nos jornais. E o pior de tudo isso é que grande parte do que vejo vem do político, ou é causada por política. Entregam armas na mão de policiais destreinados e os jovens que lutam por um ideal são os bandidos. Ah, cara, vai tomar no cu, seu político filho da puta.
Agora, sobre o vídeo. Eu não tenho nada a dizer. Ele se explica.
Eu só fico triste. Amo meu país, tenho orgulho de ser brasileiro mas, ao mesmo tempo, tenho uma vergonha do caralho de dizer que moro num local onde as pessoas são enganadas ao serem 'educadas' a dizer que são o povo mais feliz do mundo, que são completamente receptivos. Eles dizem isso pra nós fazer olhar numa direção, enquanto, por trás, roubam milhões que deveriam ser investidos em educação, em saúde, em segurança. Esse vídeo é a maior prova disso, exclusivamente no caso da segurança. Os jovens de lá estavam altamente em vantagem, munidos com gargantas, câmeras fotográficas e cartazes. Talvez por isso os policiais atacaram assim, eles estavam indefesos, tiveram que atirar, jogar spary de pimenta e bomba de efeito moral por segurança própria. É isso que vai sair na mídia. E, por um lado, é certo. Esses jovens estavam com uma vantagem gigantesca, eles têm um ideal, eles sabem pra onde e como querer ir. E vão. Derrube um, prenda outros, mas você não há de conseguir matar uma ideologia. Me calem, podem tentar, mas vocês não vão calar a voz de um povo que, aos poucos, começa a demonstrar contra-ataque. Sim, nós vamos atacar, nós iremos pra guerra. Podem preparar seus ouvidos, porque nossas armas são nossas próprias vozes. Por término, eu continuo tendo vergonha.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Passei minha vida toda estudando em colégios particulares, os melhores da cidade, e tive uma certa dificuldade pra entrar  numa universidade pública. Como querem, então, que os jovens jogados às margens sociais tenham motivações pra continuar indo à escola? Oferecendo um prato de comida podre na hora do intervalo? Eu estou cansado de ser tratado como retardado, imagino, então, como eles se sentem. Comecei meu curso superior achando que haveria possibilidades pra todo lado pra eu poder mudar meu país. O caralho. Houve uma, e só essa, ainda muito precária. Faço parte de um grupo estudantil que reinvidica alguns direitos como o aumento da passagem de ônibus. Dois reais é um estupro bancário. "ah, não acho que esteja caro. meu lanche no colégio é três e cinquenta". Acontece, seu filho da puta, que seu paizinho ganha dez, onze salários mínimos. Se ele ganhasse um salário mínimo, dúvido que tu teria coragem de abrir a boca e vir me dizer uma merda dessa. Ou melhor, duvido sim, porque metade das pessoas que lerão isso, não saberão me dizer, com certeza, quanto é o salário mínimo brasileiro e o quanto ele deveria ser. Não falo isso porque meus pais recebem salário mínimo, longe dessa realidade. Eu falo isso porque não sou eu que formo a grande massa nacional. São os heróis de todos os dias. Sim, os heróis, mas não aqueles da televisão, herói não é o último cara que ganhou o BBB, tenho pena de quem pensa isso, sinceramente. Herói é aquele menino que vai pra aula descalço, porque o pai não tem dinheiro pra comprar uma sandália, vai andando porque não tem dinheiro pra passagem do ônibus todo dia, chega na escola e não tem aula, porque os professores tão em greve - culpa desse maldito governo, que sempre dá um jeito de parecer que é culpa da classe trabalhadora - , mesmo se tivesse aula, assistiria em pé, porque não tem onde sentar, não tem cadeira e, se tivesse, não anotaria nada. Não tem caderno. Enquanto vocês me leem através do computador, no conforto de suas casas e tudo o mais, os heróis nacionais estão aí, marginalizados, sofrendo preconceito, assaltando, matando e morrendo. Não defendo o roubo! - acho necessário detalhar essa parte, já que a minha geração não lê, é capaz de sequer entenderem a verdadeira face dessa crítica. Apenas digo que, por esse lado, há uma 'explicação' plausível pro ato. O contrário do que acontece no senado, onde todos vestem ternos caros, são alfabetizados, não têm piercings nem tatuagens, e roubam milhões, trilhões. Os valores estão tão invertidos que o trabalhador que vive com menos de 600 reais por dia é o filho da puta da história, o 'peso social'. Enquanto vossa senhoria disfruta do dinheiro suado que é contrabandiado dos nossos impostos, colocando-os no bolso, enquanto as pessoas vão no BBB pra ganhar trocentos reais e são os heróis, enquanto a minha juventude pensa cada vez mais no que vestir e no que ter, do que em ser algo. Eu tenho vergonha.