Tenho pena do meu país por estar afundado tão catastroficamente em algo que deveria ser o futuro. Não posso me postar feliz ou orgulhoso se comediantes, jogadores de futebol, cantores e afins se canditam, e são eleitos, como se fosse algo normal. Sinceramente, o simples fato de um deputado, vereador ou sei lá qual merda fazer sua propaganda baseando-se em promessas já é absurdo. NÃO É PROMESSA, FILHO DA PUTA, É A PORRA DO TEU DEVER. Consta naquela piada que vocês chamam de constituição. É o mesmo que um jogador dizer que vai fazer gol. É A PORRA DO TRABALHO ELE, ELE RECEBE PRA ISSO.
'Apesar de você, amanhã há de ser outro dia.'
Embora eu não queira abrir mão da minha pátria, é impossível não sentir vergonha. Se metade do dinheiro sujo que é usado na sujeira da cidade, digo, propaganda eleitoral, fosse usado em investimentos úteis, tenho certeza que essa merda andava pra frente. E o problema não é só esse. Procuro, por todos os lados, alguém que eu goste pra colocar no controle do meu futuro. Frustrante é não achar. A ficha limpa é uma tentativa falha de conter o desdesenvolvimento. Uma ótima ideia atrapalhada por pertubadas mentes.
Essa doença ainda tem muito pra crescer e sinto uma dor em pensar que meus filhos e meus netos ainda receberão a nacionalidade de um país tão lindo, com tanto céu e estrelas, com o Redentor, não que eu acredite, de braços abertos, não acho que haja fé, mas que é belo, é, imerso em tanta pobreza de caráter e social, com um câncer exposto e multiplicando-se como quer em todas as esquinas.
Eu grito minha revolta, meu ódio e sangro minha loucura alicerçada em contradições, mas sei que não adianta se a mentalidade dos que deveriam lograr resultados é o atraso de todos nós. O que me resta é ruir.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
ainda por terminar, ainda por sentir, ainda por sofrer, ainda por inspirar e ainda por enlouquecer.
Tenho inveja das vidas sortudas que puderam realizar um sonho tão antigo quando a percepção em si: a Lua. Meu (religião inexistente), mas que satélite belo.
Se me coubesse uma chance de escolha, caso fosse-me oferecido uma oportunidade de visitar qualquer apêndice planetário do sistema solar, ficaria em dúvida entre duas: Europa e a própria.
Vontade número um: a Lua tem uma característica específica na frente das outras desse nosso sistema. Seu tamanho é relativamente grande, em comparação ao seu planeta de órbita. Isso faz com que ela regule marés, sem falar na sustentabilidade de sonhos. Inspira sofredores, como que vos fala, que nunca poderão conhecê-la de perto. Mas como eu queria uma única dança naquela poeira. Resumo.
Vontade número dois: Europa é uma das luas de Júpiter, possui, provavelmente, água em seu interior e tem uma remota capacidade de sustentar a vida dentro de si. Não é a maior nem a menor, mas é a segunda mais chamativa e, na minha concepção, a mais bela dentre todas.
Agora, deixando um pouco o lado astronauta de lado e puxando pra perto a parte sonhonauta, confesso, mais uma vez, como me seria aproveitado uma viagem dessas. E como seria uma loucura extrema poder realizá-la. Não me importa a solidão da ida e da volta, já que trago entre os dedos uma recordação tão impactante quanto a vontade, não é exatamente o que eu queria, mas o bastante pra me contentar.
Em terceiro lugar, mas não sendo vontade, pergunto-me qual o motivo dessa confissão. A Lua é algo tão além do meu alcance, que jogar minhas mãos, palavras ou promessas não adiantará nada. Continuará, como sempre foi e sempre será, um sonho distante. Milhares de quilômetros distante. De Europa, nem falo, nem almejo. Só anseio algum devaneio louco que me leve o mais perto possível. Tanto pela junção da quimera, quanto pela necessidade de sumiço.
-
sem nada: de boa? já nem sei mais do que falo. me perdi e me parti.
Se me coubesse uma chance de escolha, caso fosse-me oferecido uma oportunidade de visitar qualquer apêndice planetário do sistema solar, ficaria em dúvida entre duas: Europa e a própria.
Vontade número um: a Lua tem uma característica específica na frente das outras desse nosso sistema. Seu tamanho é relativamente grande, em comparação ao seu planeta de órbita. Isso faz com que ela regule marés, sem falar na sustentabilidade de sonhos. Inspira sofredores, como que vos fala, que nunca poderão conhecê-la de perto. Mas como eu queria uma única dança naquela poeira. Resumo.
Vontade número dois: Europa é uma das luas de Júpiter, possui, provavelmente, água em seu interior e tem uma remota capacidade de sustentar a vida dentro de si. Não é a maior nem a menor, mas é a segunda mais chamativa e, na minha concepção, a mais bela dentre todas.
Agora, deixando um pouco o lado astronauta de lado e puxando pra perto a parte sonhonauta, confesso, mais uma vez, como me seria aproveitado uma viagem dessas. E como seria uma loucura extrema poder realizá-la. Não me importa a solidão da ida e da volta, já que trago entre os dedos uma recordação tão impactante quanto a vontade, não é exatamente o que eu queria, mas o bastante pra me contentar.
Em terceiro lugar, mas não sendo vontade, pergunto-me qual o motivo dessa confissão. A Lua é algo tão além do meu alcance, que jogar minhas mãos, palavras ou promessas não adiantará nada. Continuará, como sempre foi e sempre será, um sonho distante. Milhares de quilômetros distante. De Europa, nem falo, nem almejo. Só anseio algum devaneio louco que me leve o mais perto possível. Tanto pela junção da quimera, quanto pela necessidade de sumiço.
-
sem nada: de boa? já nem sei mais do que falo. me perdi e me parti.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Por vezes, penso se o que penso ser sólido é realmente sólido. E se tudo for uma peça da minha mente? Os calores, os sorrisos, as dificuldades, as palavras que digo agora e toda uma gama de exemplos poderiam ser, simplesmente, nada. Eu poderia ser nada.
O Universo é uma existência tão vasta que a minha rápida passagem no que chamam de vida me parece mais um sonho de um ser bem maior do que algo que eu classifique como verossímil. Não é uma porrada na cara, um salto de um penhasco sem um garda-chuva pra amparar a queda. É uma verdade calma, escondida na pele, abaixo dos pelos arrepiados. E cá fico, sob um céu estrelado de astros que tanto anseio ver e não posso, nunca poderei. É isso que é realidade?
Após França, biologia, violões, cortes, areia e oceanos, o que sobra? Nada. Depois que o último humano for dizimado, toda uma herança será perdida no tempo, até que o espaço chegue em sua fase escura e assim permaneça pra sempre. Estagnado, sem ninguem pra ver ou sentir. O que é realidade?
- É a capacidade de correr contra o tempo, de fazer obras fadadas ao esquecimento e dizer que tudo isso é importante aos caráteres.
O pior é que nós acreditamos, e eu também. Acredito que haja um sentido, mesmo que uma mísera parte de mim grite, abafado pelas mãos que tentam desesperadamente puxar alguma parte do divino pra baixo. Mas o divino também se esconde, e faz com que os ditos representantes enganem milhões com suas falsas promessas de paraísos. A Nirvana pregada é uma mentira. A vida não passa de uma busca incansável de verdades, as quais nunca conseguiremos as reais respostas. E mesmo que conseguíssemos, de que bastaria? Saber resolver uma questão não serve de nada se eu não achar uma necessidade pra desfrutar tal conhecimento.
Acho que uma intensa metade de mim está se afundando cada vez dentro dela própria. Eu gostaria tanto que Graham Bell fizesse sua parte agora, ouvir um suspiro amável, um lembrete de que eu não estou só e que minha imaginação não poderia imaginar nada tão perfeito assim, a única fonte que me faz esclarecer as ideias, ficar realmente em dúvida se é existencial ou não. Um copo pela metade é meio cheio e meio vazio. Então, uma dúvida se é verdade é também uma dúvida se é mentira.
Eu só queria estar ali.
O Universo é uma existência tão vasta que a minha rápida passagem no que chamam de vida me parece mais um sonho de um ser bem maior do que algo que eu classifique como verossímil. Não é uma porrada na cara, um salto de um penhasco sem um garda-chuva pra amparar a queda. É uma verdade calma, escondida na pele, abaixo dos pelos arrepiados. E cá fico, sob um céu estrelado de astros que tanto anseio ver e não posso, nunca poderei. É isso que é realidade?
Após França, biologia, violões, cortes, areia e oceanos, o que sobra? Nada. Depois que o último humano for dizimado, toda uma herança será perdida no tempo, até que o espaço chegue em sua fase escura e assim permaneça pra sempre. Estagnado, sem ninguem pra ver ou sentir. O que é realidade?
- É a capacidade de correr contra o tempo, de fazer obras fadadas ao esquecimento e dizer que tudo isso é importante aos caráteres.
O pior é que nós acreditamos, e eu também. Acredito que haja um sentido, mesmo que uma mísera parte de mim grite, abafado pelas mãos que tentam desesperadamente puxar alguma parte do divino pra baixo. Mas o divino também se esconde, e faz com que os ditos representantes enganem milhões com suas falsas promessas de paraísos. A Nirvana pregada é uma mentira. A vida não passa de uma busca incansável de verdades, as quais nunca conseguiremos as reais respostas. E mesmo que conseguíssemos, de que bastaria? Saber resolver uma questão não serve de nada se eu não achar uma necessidade pra desfrutar tal conhecimento.
Acho que uma intensa metade de mim está se afundando cada vez dentro dela própria. Eu gostaria tanto que Graham Bell fizesse sua parte agora, ouvir um suspiro amável, um lembrete de que eu não estou só e que minha imaginação não poderia imaginar nada tão perfeito assim, a única fonte que me faz esclarecer as ideias, ficar realmente em dúvida se é existencial ou não. Um copo pela metade é meio cheio e meio vazio. Então, uma dúvida se é verdade é também uma dúvida se é mentira.
Eu só queria estar ali.
sábado, 18 de setembro de 2010
Qualquer coisa entre a pena e uma necessidade.
Por começo, uma pergunta. Brasileiro - não convém naturalidade - ou alguma outra? Então, já que nem tua base no Tupi deves ter alguma noção, digo-lhe que não há naturalidade nenhuma em teu 'regular'. Muito pelo contrário. São apenas gritos vagos, pois não há nenhum outro motivo. O desespero alegado é uma farsa, escondida por trás de dinheiro e conforto. Acho que o verde que vi, três ou quatro vezes, em meio a tantas palavras, é um aviso inconsciente de ti pra ti, você já sabe qual o erro básico do teu alicerce.
Por continuidade, digo-lhe, repetidamente por uma única frase: um pro outro. Uma doença completando uma ausência. Assim como um retardo consuma uma atitude infantil num corpo, tecnicamente, adulto. Aqueles terremotos, os que tu achas sentir em vistas, não são loucuras, são sentidos bons demais. Apesar de todo o desgosto pelos atos, reconheço que um pouco do que há é mim é comum de nós. Mas não consideres isso no par, vos peço. Ao menos do teu (insentido) menos, nada quero. Nem repartir o ar do mesmo ambiente, já que se eu puder ter repúdio a algo podre, esse é o máximo que eu posso atingir, e o máximo amplamente sendo decomposto em solo fértil é o gosto que te toca os lábios. Pergunto-me qual deve ser a sensação de ter o sabor de uma inconsequência em si.
Por término, uma risada.
Por continuidade, digo-lhe, repetidamente por uma única frase: um pro outro. Uma doença completando uma ausência. Assim como um retardo consuma uma atitude infantil num corpo, tecnicamente, adulto. Aqueles terremotos, os que tu achas sentir em vistas, não são loucuras, são sentidos bons demais. Apesar de todo o desgosto pelos atos, reconheço que um pouco do que há é mim é comum de nós. Mas não consideres isso no par, vos peço. Ao menos do teu (insentido) menos, nada quero. Nem repartir o ar do mesmo ambiente, já que se eu puder ter repúdio a algo podre, esse é o máximo que eu posso atingir, e o máximo amplamente sendo decomposto em solo fértil é o gosto que te toca os lábios. Pergunto-me qual deve ser a sensação de ter o sabor de uma inconsequência em si.
Por término, uma risada.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
As pessoas sempre vão embora, percebi isso hoje. Nem sempre por uma morte, às vezes, simplesmente, por se mudarem. Apenas isso, seco. Com o seguimento desse pensamento, desconfiei o motivo d'eu embolar tanto minhas falas: pensamentos demais. Penso mais do que minha boca pode assimilar. É certo que um punhado de timidez adiciona um teor um tanto mais ácido nessa trava, mas, na base, é esse o único motivo. E essas duas descobertas estavam tão à minha frente que eu nunca percebi, ou nunca quis. Era tão sutilmente visível quanto um tapa na cara. Desse descobrimento, logo atrelo mais uma lembrança. Recente lembrança, ainda quente por algumas saudades diárias, daquelas que nem eu mesmo desconfiava sentir. O resultado disso tudo é a única frase que tenho na mente agora: eram tantas vozes juntas que eu não ouvia ninguém. Talvez não há muito nexo pra quem vê de longe, mas não o faço pra ser completamente entendido, simplesmente tenho essa necessidade.
Eu não queria que tantas pessoas fossem embora, sou muito infeliz quanto à saudade. Não sei lidar. É mais um fracasso meu. Posso não demonstrar fisicamente, mas o sinto e isso me corrói. Amargamente, corrói. Por isso tenho uma pequena vontade de jogar meus braços ao longe, dá-los às lâminas proibidas por uma promessa. Era uma tentativa desesperada de retirar um pouco a pressão do meu sangue, nem sempre as palavras foram as melhores válvulas de escape. Mas não quer dizer também que funcione todas as vezes.
E pra que não entende tal desespero, procure manter-se distante da resposta. Quando se ouve um som melhor que o último, o vício aumenta, principalmente quando a melhor batida que já se tem ouvido na vida tenha sido um coração correr acelerado. E eles sempre correm, principalmente quando há muita saudade ou uma descoberta brutal, coisa que me ocorreram hoje cedo. Daí o ciclo, o vício do ciclo. O mesmo vício que acima escrevi, o mesmo desespero acima escrito, o mesmo tudo. É tudo ironia e a ironia é tudo. E eu detesto essa porra de ironia, porque ela insiste em nos mostrar o quanto ela é poderosa. Mas que se foda esse destino filho da puta, já tenho impaciência demais em mim pra ficar me descobrindo ainda mais. Se já não sei interagir com meus pensamentos, sei menos ainda domar meus sentimentos.
Eu não queria que tantas pessoas fossem embora, sou muito infeliz quanto à saudade. Não sei lidar. É mais um fracasso meu. Posso não demonstrar fisicamente, mas o sinto e isso me corrói. Amargamente, corrói. Por isso tenho uma pequena vontade de jogar meus braços ao longe, dá-los às lâminas proibidas por uma promessa. Era uma tentativa desesperada de retirar um pouco a pressão do meu sangue, nem sempre as palavras foram as melhores válvulas de escape. Mas não quer dizer também que funcione todas as vezes.
E pra que não entende tal desespero, procure manter-se distante da resposta. Quando se ouve um som melhor que o último, o vício aumenta, principalmente quando a melhor batida que já se tem ouvido na vida tenha sido um coração correr acelerado. E eles sempre correm, principalmente quando há muita saudade ou uma descoberta brutal, coisa que me ocorreram hoje cedo. Daí o ciclo, o vício do ciclo. O mesmo vício que acima escrevi, o mesmo desespero acima escrito, o mesmo tudo. É tudo ironia e a ironia é tudo. E eu detesto essa porra de ironia, porque ela insiste em nos mostrar o quanto ela é poderosa. Mas que se foda esse destino filho da puta, já tenho impaciência demais em mim pra ficar me descobrindo ainda mais. Se já não sei interagir com meus pensamentos, sei menos ainda domar meus sentimentos.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Quando o poderoso se faz de vítima.
Ali vinham dois aviões e, certamente, os que puderam ver antes do segundo que os chocaria pra sempre, perguntaram-se o que o primeiro faria ali, tão baixo. Não se perguntaram sobre o segundo, pois já havia tudo se esclarecido quando este se acometeu da ordem. E lá se manteu, um povo todo a se lamentar e enraivar-se por 102 minutos, até que, uma hora, a ficha, assim como os edifícios, caísse. E se portassem como pobre-coitados.
Nojo.
Quero ver os que eles tem a falar sobre Nagasaki e Hiroshima, dos milhões que nada tinham a ver com a guerra e morreram no mesmo segundo, ou dos incontáveis que até hoje sofrem as consequências pela radiação que ficou impregnada naquele ar. Quando a bomba explodiu, nos testes no oceano, a temperatura foi tão alta nos primeiros instantes que a areia das ilhas próximas virou vidro. Sem falar nas ilhas que desapareceram. E hoje reclamam, dizendo que foi injustiça. Terrorismo se paga com terrorismo, não importa o vetor. Hamurabi que o fale.
Reclama, filho da puta, enfia essa tentação toda dentro do teu peito e alega ao mundo todo o quanto tu sofre. Agora para pra pensar nas toneladas e toneladas de petróleo que vocês utilizam e de todo o resto poluente que sai desse país podre. A simples forma de vida estadosunidense de viver já é um atentado terrorista.
E pra quem não entendeu o motivo de ser vago, feche os olhos. Não perderei meu tempo explicando tão explícido desprezo.
Nojo.
Quero ver os que eles tem a falar sobre Nagasaki e Hiroshima, dos milhões que nada tinham a ver com a guerra e morreram no mesmo segundo, ou dos incontáveis que até hoje sofrem as consequências pela radiação que ficou impregnada naquele ar. Quando a bomba explodiu, nos testes no oceano, a temperatura foi tão alta nos primeiros instantes que a areia das ilhas próximas virou vidro. Sem falar nas ilhas que desapareceram. E hoje reclamam, dizendo que foi injustiça. Terrorismo se paga com terrorismo, não importa o vetor. Hamurabi que o fale.
Reclama, filho da puta, enfia essa tentação toda dentro do teu peito e alega ao mundo todo o quanto tu sofre. Agora para pra pensar nas toneladas e toneladas de petróleo que vocês utilizam e de todo o resto poluente que sai desse país podre. A simples forma de vida estadosunidense de viver já é um atentado terrorista.
E pra quem não entendeu o motivo de ser vago, feche os olhos. Não perderei meu tempo explicando tão explícido desprezo.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Silêncio.
Pois grito, e o grito forte. Não há mais frequência audível, apenas a traquéia que se esforça pra conseguir te chamar. E não chama. Daí vem a frustração. E que merda de frustração.
Queria ter pregos pra grudar melhor as fotografias desbotadas, acho que os adesivos da minha mente já estão começando a perder sua cola, precisam ser renovados. Mas a renovação me dói. Ah, como me dói. Se eu não te levar na memória, um dia esquecer-te, tenha certeza que no esquecimento também te carrego. Sempre estarás aqui. Embora teu plano seja outro.
Não pude te dizer adeus.
Eu não pude te dizer adeus.
Eu não te disse adeus.
Você não completou sua promessa, irmão.
E eu não lhe disse adeus.
Você morreu.
E eu não dei adeus.
Morreu, e eu não disse adeus.
- Vai, responde, não é tu que é o fodão? Responde, vai. Quanto é? Diz. Dois mais dois, puto, dois mais dois.
Saudade de merda de alguém que não deveria ter sido levado do mundo. Injustiça filha da puta! Espero que a loucura te consuma na mais intensa dor do inferno.
Morreu, e eu não disse adeus.
Queria ter pregos pra grudar melhor as fotografias desbotadas, acho que os adesivos da minha mente já estão começando a perder sua cola, precisam ser renovados. Mas a renovação me dói. Ah, como me dói. Se eu não te levar na memória, um dia esquecer-te, tenha certeza que no esquecimento também te carrego. Sempre estarás aqui. Embora teu plano seja outro.
Não pude te dizer adeus.
Eu não pude te dizer adeus.
Eu não te disse adeus.
Você não completou sua promessa, irmão.
E eu não lhe disse adeus.
Você morreu.
E eu não dei adeus.
Morreu, e eu não disse adeus.
- Vai, responde, não é tu que é o fodão? Responde, vai. Quanto é? Diz. Dois mais dois, puto, dois mais dois.
Saudade de merda de alguém que não deveria ter sido levado do mundo. Injustiça filha da puta! Espero que a loucura te consuma na mais intensa dor do inferno.
Morreu, e eu não disse adeus.
Apresentação.
Há uma personagem em mim. Vitoria, seu nome. Mas não vos deixem enganar-se, sobre vencer, nessa pequena criatura, existe apenas o nome, já que até seu nascimento foi um acidente. E ela vive louca e animalmente no critério dessa cidade, uma insolente sem nome e uma indigente apenas conhecida por ser da minha mente. Sequer tem uma idade. É a síntese de crítica e olhos da felicidade. Negra e abandonada, desamada por ser inexistente, mesmo na esquizofrenia geral. Não clama nem sente a necessidade de atenção, já que nunca a teve. Derrama-se pelos canteiros dessas ruas por ai, essas que ninguém passa, que ninguém nem sabe o nome, e tenta dormir, submete-se ao frio, mesmo nessa cidade quente. Em ti, há o lençol à noite pra que tu possa abrir a boca e dizer que está quente, mas, nela, há, apenas, uma camada de escárnio, sujeira e papelão pra ser sua cama.
É a força que me faz olhar e perceber além.
É-me.
É a força que me faz olhar e perceber além.
É-me.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Embora eu tenha algo inicialmente independente quanto às decisões, existe uma parte em mim que se afunda, mais e mais, na inercia de muitos pensamentos meus. Pensamentos que, depois do início, dificilmente acham um local que os faz parar. Deles nasce um ego. Do ego nasce toda uma consciência separada de mim, torna-se uma personalidade. Não, olhos, não sou bipolar, sou além. Sou polipolar, não posso, sequer, deixar um sentimento muito forte vir à tona. Caso isso aconteça, espero que os que estejam ao redor estejam preparados pra conhecer um amigo novo. Seu nome, seu credo, sua classe e suas ideias diferenciam-se das minhas. Depois da introdução, vos apresento:
- Vivência, este é Saudade. Saudade, esta é a Realidade.
Permitam-me, pois necessito um pequeno orifício nessa mão para que tudo escape. Quando eu conseguir trazer à tona - nunca - tudo que tanto me mata por não conseguir sair, hão de compreender os motivos por uma parte dessa alma maior ser um tanto atormentada por uns fantasmas, ou outros. O nome disso é incompreensão. Ainda não lhe entra na mente a ideia de um fim ter sido realizado no início. Ter que imaginar uma mãe a segurar um filho em coma e saber que sua morte se deu no mesmo dia do seu nascimento é uma consequência que, até hoje, atormentam seus olhos. Não é, simplesmente, comemorar um aniversário e outro aniversário, é comemorar os dois. No dia da felicidade nostalgica, também dividir o coração numa ligeira depressão. Não ter um momento entre-datas para respirar é inaceitável, por isso o maior fica a imaginar se há, realmente, um deus. E se ele existe, onde está a justiça tão superior que ele alega. O infeliz que foi roubado da existência tinha sonhos, e sonhos belos, de mudanças radicais na sociedade, mas não pode nem contemplar o gosto de ter-se de volta nos iguais. Não. Apenas, não.
E em um local está uma família um tanto desamparada, que terá que ressuscitar um pouco desta angústia ano após ano, isso se não conviverem na mesma casa onde moram os aromas e a infância vilha, e em outro local, há uma alma desamparada que não sabe para onde ir.
É tão humano ver o lado mais errado de todos, pena que eu não o sou nem nunca o serei.
Exatamente por isso estou aqui, posto a observar e maltratar os que me deixarem entrar em casa e os explicarei. Se estou aqui, tenha certeza que logo após teus olhos terminarem esta sentença, estarei ao teu lado por alguém.
- Vivência, este é Saudade. Saudade, esta é a Realidade.
Permitam-me, pois necessito um pequeno orifício nessa mão para que tudo escape. Quando eu conseguir trazer à tona - nunca - tudo que tanto me mata por não conseguir sair, hão de compreender os motivos por uma parte dessa alma maior ser um tanto atormentada por uns fantasmas, ou outros. O nome disso é incompreensão. Ainda não lhe entra na mente a ideia de um fim ter sido realizado no início. Ter que imaginar uma mãe a segurar um filho em coma e saber que sua morte se deu no mesmo dia do seu nascimento é uma consequência que, até hoje, atormentam seus olhos. Não é, simplesmente, comemorar um aniversário e outro aniversário, é comemorar os dois. No dia da felicidade nostalgica, também dividir o coração numa ligeira depressão. Não ter um momento entre-datas para respirar é inaceitável, por isso o maior fica a imaginar se há, realmente, um deus. E se ele existe, onde está a justiça tão superior que ele alega. O infeliz que foi roubado da existência tinha sonhos, e sonhos belos, de mudanças radicais na sociedade, mas não pode nem contemplar o gosto de ter-se de volta nos iguais. Não. Apenas, não.
E em um local está uma família um tanto desamparada, que terá que ressuscitar um pouco desta angústia ano após ano, isso se não conviverem na mesma casa onde moram os aromas e a infância vilha, e em outro local, há uma alma desamparada que não sabe para onde ir.
É tão humano ver o lado mais errado de todos, pena que eu não o sou nem nunca o serei.
Exatamente por isso estou aqui, posto a observar e maltratar os que me deixarem entrar em casa e os explicarei. Se estou aqui, tenha certeza que logo após teus olhos terminarem esta sentença, estarei ao teu lado por alguém.
domingo, 5 de setembro de 2010
Pessoas de qualquer sorte têm uma atitude que me enoja: reclamar do que possuem. Muitas delas têm uma vida digna de agradecimento aos pais, mas, ao contrário disso, os devolvem um certo desprezo por uma vez ou outra não ganharem o que querem.
- Vai andar num ônibus sujo de manhã cedo, pra trabalhar, receber teu dinheiro e no final do mês não sobrar nada pra se divertir, gastar tudo com contas acumuladas, conviver com uma desigualdade que invade tua porta todo dia, sem ter hora pra chegar ou sair, seu filho da puta, depois tu pode abrir a boca pra falar qualquer merda. Você não é o dedo que prende o cu.
Reclamar é fácil, queria ver se fosse a hora de fazer por onde. Sou meio suspeito, também reclado de muito do que não tenho. Mas eu não tiro da cabeça que enquanto digito sobre isso nesse computador, na minha própria casa, no conforto que me foi dado, milhões perecem por estar com fome, sede ou, simplesemente, doentes. E outro milhões a reclamar por não poder comprar um vestido, ou um carro, sei lá.
A humanidade é surpreendente.
- Vai andar num ônibus sujo de manhã cedo, pra trabalhar, receber teu dinheiro e no final do mês não sobrar nada pra se divertir, gastar tudo com contas acumuladas, conviver com uma desigualdade que invade tua porta todo dia, sem ter hora pra chegar ou sair, seu filho da puta, depois tu pode abrir a boca pra falar qualquer merda. Você não é o dedo que prende o cu.
Reclamar é fácil, queria ver se fosse a hora de fazer por onde. Sou meio suspeito, também reclado de muito do que não tenho. Mas eu não tiro da cabeça que enquanto digito sobre isso nesse computador, na minha própria casa, no conforto que me foi dado, milhões perecem por estar com fome, sede ou, simplesemente, doentes. E outro milhões a reclamar por não poder comprar um vestido, ou um carro, sei lá.
A humanidade é surpreendente.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
O radical de humanidade e humilhação é o mesmo.
Já não sei mais discernir onde está a humilhação: se é em quem pede dinheiro ou se está nos olhos que afastam a vista. A um primeiro pensar bem superficial, estar à mercer dos outros, depender da boa vontade de umas poucas moedas de lhe aparecer, é algo bem pior e agressivo. Mas, aos que poucos que criticam na primeira chance, também seria horrível transformar a mão num punho sem deixar nada sair, simplesmente, por ter medo do indigente. Eu não disse como era a humilhação.
A diferença é o vetor, pra um é humilhação própria, ao outro, social. Desse outro, uma breve explanação: não saber se o alvo é sua decisão ou seu forçamento. Viver a se esconder, mesmo em local público, é humilhante. Vergosonho, seria a palavra certa, mas não caberia na igualdade. E a culpa é, mais uma vez, dessa humanidade que governa utilizando-se de uma ironia imensa.
- Ironia, ó, ironia, vejo que és tu mais uma vez quem me atormentas.
O problema é que a situação descrita acima não é complicada de acontecer. Qualquer viagem num mero ônibus está sujeita à presenciá-la.
Não é coincidência essas duas palavras começarem do mesmo jeito, já que hoje em dia é quase o mesmo significado. Só espero mesmo é estar vivo quando humanidade tiver o mesmo radical que uma palavra conjugada da outra - e completamente diferente.
Humildade.
A diferença é o vetor, pra um é humilhação própria, ao outro, social. Desse outro, uma breve explanação: não saber se o alvo é sua decisão ou seu forçamento. Viver a se esconder, mesmo em local público, é humilhante. Vergosonho, seria a palavra certa, mas não caberia na igualdade. E a culpa é, mais uma vez, dessa humanidade que governa utilizando-se de uma ironia imensa.
- Ironia, ó, ironia, vejo que és tu mais uma vez quem me atormentas.
O problema é que a situação descrita acima não é complicada de acontecer. Qualquer viagem num mero ônibus está sujeita à presenciá-la.
Não é coincidência essas duas palavras começarem do mesmo jeito, já que hoje em dia é quase o mesmo significado. Só espero mesmo é estar vivo quando humanidade tiver o mesmo radical que uma palavra conjugada da outra - e completamente diferente.
Humildade.
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