Há uma personagem em mim. Vitoria, seu nome. Mas não vos deixem enganar-se, sobre vencer, nessa pequena criatura, existe apenas o nome, já que até seu nascimento foi um acidente. E ela vive louca e animalmente no critério dessa cidade, uma insolente sem nome e uma indigente apenas conhecida por ser da minha mente. Sequer tem uma idade. É a síntese de crítica e olhos da felicidade. Negra e abandonada, desamada por ser inexistente, mesmo na esquizofrenia geral. Não clama nem sente a necessidade de atenção, já que nunca a teve. Derrama-se pelos canteiros dessas ruas por ai, essas que ninguém passa, que ninguém nem sabe o nome, e tenta dormir, submete-se ao frio, mesmo nessa cidade quente. Em ti, há o lençol à noite pra que tu possa abrir a boca e dizer que está quente, mas, nela, há, apenas, uma camada de escárnio, sujeira e papelão pra ser sua cama.
É a força que me faz olhar e perceber além.
É-me.
Nenhum comentário:
Postar um comentário