E como um tapa na cara, vêm as inquietantes verdades sobre o mundo, sobre a vida, sobre morrer, sobre tudo. Cá estou eu, às 12:46, sentado numa cadeira, falando pros outros o que eu amaria que chegassem em mim e dissessem: ?. Aos dez anos, ou sei lá quantos, enfim, na quarta série, comecei a ficar mais perto do que queria da morte e ela, por sua vez, cada vez mais se aconchegando. Foi levando cada vez mais pessoas de mim, chegando ao ponto d'eu ter que usar a palavra 'adeus' mais de uma vez no ano, três, pra ser exato. É só isso? O ser humano nasce, cresce, se reproduz e morre? O tanto que eu estudei, todas as pessoas que eu conheci, o sangue que sangrei, os sonhos que vivi e não vivi, as lágrimas que chorei, as comidas que comi, as saudades que eu vivi, as mortes que eu perdi, os países que ainda quero conhecer... é só isso? Depois de todo esse trabalho, vem um qualquer e nos enterra?
- Não, babaca. Tuas conquistas ficarão marcadas na tua família, teu nome pode ser história, teus fatos podem ser decisivos.
Mas e depois? E depois que morrer o último megalomaníaco e esse planeta se livrar, finalmente, dos seus maiores parasítas e ser condenado a vagar até o último suspiro de força do Sol? E depois que o Universo perder o brilho de todas as estrelas e ser tornar somente um espaço no nada, cheio de nada, em direção ao nada, vindo do nada? Do que servirão minhas descobertas, meu fracasso, meu nome, minhas cicatrizes na história ou os restos podres dentro do chão? E a humanidade ainda se glorifica pelo dinheiro que tem no bolso.
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