quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Cárcere não carece.

As gargantas que gritam desesperadas não parecem mais chamar atenção - se é que algum dia chamaram. Agora sobram só as chamas que dançam loucas e intermináveis por trás dos olhos dele. Queimam afogando os dedos no fundo da traqueia que luta incansável por um único suspiro, uma única chance de poder utilizar a voz e demonstrar que está viva. Mas parece que o mundo está a andar pro lado contrário, porque a juventude que eu divido a idade parece mais preocupada com a marca da blusa do que com a cultura que ela bebe. E isso me enoja. O que me resta é vir jogar todas as palavras que consigo numa tela, a resposta mais crua do autismo, e perder a linha do meu raciocínio. Sim, eu sei que não sou parâmetro, tampouco queria eu ser, mas as pilastras não precisavam ser corroídas assim, não há concreto que resista tamanho egoísmo.
Os dedos já mancham tanto as fotografias que não haverá tinta pra que os filhos saibam da negligência que foi vivida. Mas ainda sobrarão os oceanos gélidos da falsidade que serve de cálcio; no futuro será um punhado de agulha cutucando as partes expostas de vossas espinhas, e, assim, o globo definha, nem mais o céu é azul.
Quando o mundo definhar, linha por linha, cruz por cruz, lá estarão os fantasmas a celebrar o mutirão que há de encontrá-los após, os olhos, por sua vez, fechar-se-ão, e com a dor eu te descrevo o novo lar que se tornaria este fardo que tu chama de casa. Os muros do teu edifício são baseados no branco que falha a tua casa, simplesmente, e edro que te serve de piso é miragem, projeção aleatória da sua mente. 'Mente', é a palavra que eu queria proferir desde o início.
- A mente mente e que sofre é demente.
O nome dela? Eu mesmo dei: insanidade. Gostaste? O que inspira é tu.

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