sábado, 20 de novembro de 2010

Já se passaram anos desde o último dia que eu aleguei que pude dormir em paz. Como já foi implicitado, ainda não consigo fazê-lo completamente. E como sinto tua falta. Até aquele lado frio da cama te sente falta. O outro, não, pois mudei meus custumes e passei a conhecer o outro lado do quarto desde quando você foi embora. Sono, volta. Sono, volta. E me deixa aproveitar mais atento os cantos que a vida me joga. Já não há mais eco que eu não saiba decorado, ou posição de estrelas que eu não conheça. Esse é o lado bom da mudança: novos horizontes, lirealmente falando, a serem vistos em todas as horas do dia. Não falo dos fantasmas nem dos demônios, vou precisar muito mais que um endereço novo pra poder expurgá-los. Loucura? Quisera eu que fossem. Quisera, também, que aquela imagem e aquele cheiro fosse embora, largasse de mim. O problema é que o cheiro e a imagem são do agora, o que eu quero, é passado, portanto, é impossibilidade. É o velho que se foda. Eu precisaria muito mais do que um mundo em que todos entendessem a ordem que as coisas seguem ou a intensidade de um breakdown - parabéns tu que leste essa frase agora, é a primeira vez que este poeta autocondecorado usa extrangeirismo por si só. E como se não bastasse, a noite que vem chegando vem trazendo nuvens escuras, obviamente. Tenho pra mim que nunca poderei expressar a vontade que tenho de me jogar dessa varanda na esperança de cair numa delas. Mesmo que pudesse, não quer dizer que as pessoas vão realmente compreender, eu me passaria mais por suicida do que esperançoso, não que me importasse. Eu não tenho o dogma de achar que iria ao inferno por isso, mesmo que tivesse, sei discernir uma vontade de uma prisão. Essa prisão descrita não é a mesma que me encontro, que fique bem entendido. A atual é igualmente metafórica, mas impede tanto quando uma física qualquer, ou um complemento não encontrado numa oração. Assim como já não consigo encaixar mais de duas sentenças numa mesma frase, começo a achar que é melhor eu deixar isso incompleto, assim como meu sono.

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