quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Não há mais salvação.
Procuram-se os bandidos errados. Enquanto matam-se centenas e prendem milhares nas favelas espalhadas pelo país, os filhos da puta de terno e gravata, que roubam milhões, escapam ilesos. Corrupção pura. Os jovens que nascem favelados vão morrer favelados, e quem entra lá, o policial bonzinho da sociedade, é o vilão que matou o pai do melhor amigo nas indigências. Meu ovo. Os senhores do crime são os caras dos altos patamares, ricos, dinheiro sujo de sangue e de cocaína, exploradores e sucumbidores dos alicerceres desse Estado completamente falido. Claro, generalizações à parte. Mas e se a melhoria de vida de um favelado, jogado às margens da sociedade, escondido dos olhos das câmeras globais for somente pelo roubo? Ele vai roubar, ele vai arriscar a vida. O que ele tem a perder? Nada, ele não tem nada, não tem nada a perder. Pense no céu que agora deve te cobrir: nublado. Pra você, ótimo. Clima ameno numa cidade tão quente, perfeito pra dormir. Pra você, hipócrita. Pro que está na favela, é o medo vindo manifestando pelos céus: chuva, enchente no esgosto na frente da casa dele que está entupido há anos, doenças que se proliferam e vêm bater à porta pra levar embora os filhos, que não têm como se salvar porque a saúde pública também tá falida, é o sono interrompido à noite quando a cama começar a flutuar e ele acordar com a água no joelho. É o reflexo dessa linda história de quinhentos anos, quinhentos anos de frequesia. Enquanto houve condições, ninguém quis fazer porra nenhuma, agora os filhos dos nossos medos estão se levantando, após décadas sendo criados e massacrados na lama, os monstros sociais alcançam as vozes mais altas, eles têm os olhos do mundo. E nós? Temos a mão na frente da cara, como uma tentativa infantil de se cobrir com o lençol do monstro do armário. A diferença é que esse monstro é real, disposto a morrer, disposto a matar, disposto a obedecer ordens de tirar a tua mão da cara e te humilhar, como foram humilhados, enquanto eles quiserem. Grita, grita muito alto, corre pra longe. Em todo canto há uma favela com suicidas. Eles têm o ataque, nós, a defesa. E só pra não quebrar o ritmo desse país, a defesa, por sua vez, é falha. Acabar com o terror? Eles riem de nós, 'futuro da nação', nossa vala está cavada. A mão que tapava teus olhos agora suja de areia a tua vista. Coincidência? Nenhuma, tuas próprias mãos e tuas negligências, nossas negligências, foram o fermento dessa calamidade. Não se investe em educação, mal se dá 'bons dias', agora querem acabar de uma só vez com algo cultivado há anos? Nem a realidade que nos chega é completamente real, quanto mais fazer algo que queremos assim. Dante já avisou: Percam todas as esperanças. Estamos todos no Inferno. Só nos resta esperar por Virgílio, ou alguma Beatriz.
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