sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Eu já vivi tudo isso. Toda essa velocidade de corpos borrados, quase alcalinos, simplesmente, entropia. É uma bagunça. A vida se repete, falha, a cada esquina que ouso virar. Dos sorrisos aos olhares, até os telefones e números discados. Em algum lugar ficou uma parada, em algum lugar aparecerá uma parada e eu a tomarei. Nada de 'parem a vida, eu quero descer'. Isso, pra mim, é simplesmente um clichê gritante de quem não tem nada a dizer. A vida é uma constante estática. Completamente mutável, mas ela sempre estará lá. Assim como o tempo, o controle do caos, a desordem nomeada e domada por um titã, vencido apenas, uma única vez, por um deus. O que o passado exaltava, hoje eu vejo aprisionada entre as grades de metais brilhantes nos pulsos da humanidade. Que, por sinal, não passa de uma doença viral: humanismo, eu diria. Isso é a vida, essa sucessão de alegorias aleatórias e sem sentido, esse abismo que me separa do segundo que deixei pra trás e do segundo iminente. Eu nunca os poderia viver, quando pensar em aproveitá-los, já aconteceram ou ainda não aconteceram. Isso é a vida, essa loucura é a vida. Salvem seus relógios, que o dia anoiteceu e a noite é amanhã.
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