se eu pudesse manifestar um décimo dessa loucura
toda que há no meu cérebro
não haveria palavra o bastante pra traduzir tudo que fosse descritível.
seria mais ou menos como um nocaute
um soco na cara, a massa encefálica contra as paredes do crânio e a resposta súbita do desligar
não, eu não me orgulho disso, muitíssimo pelo contrário:
dessa loucura gostaria eu de me livrar.
- eu estou sempre a pensar em algo.
isso cansa, brutalmente.
olhar pros outros, pra cada rosto, e sentir saudade,
ou ver como estão a sofrer,
também não é algo que eu me orgulhe.
enquanto muita gente precisa de aviso pra notar que as outras pessoas sofrem,
pra mim, basta apenas eu vê-las.
agora, traga uma imagem à teus olhos fechados
e dessa imagem imagine sendo eu você.
tu te sentirias bem? não, é claro que não.
mas também não tem ideia do que falo
nem queira.
eu não me orgulho.
mas em compensação amo as poesias, as rimas,
os desencontros
e a maneira em como se torna mais belo pelos olhos dos poetas.
ironia, oh, ironia.
apenas ficam mais belas por serem as piores.
é como amar, não é feliz nem faz bem em muito mais da metade do tempo,
mas, na poesia, quem não se sentiria bem?
porém mantendo esse raciocínio, meu escarrar agora tornaria esse sentimento
em mim
algo que eu gosto e cuido.
mas, não, não é.
é poesia.
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