domingo, 14 de novembro de 2010

Achei engraçado quando acordei numa madrugada qualquer, normal, com algumas poucas nuvens escuras no céu e os prédios escuros ao longe. Poucas eram as luzes acesas nos quartos. Eu fiz o que era mais óbvio de se fazer no que se acontecia: gritei. Da varanda, pro nada, pra ninguém ouvir, pra nada responder. Eu gritei. Simplesmente gritei. Pareceu estranho pra você? Eu te tenho pena; você está fodido. É mais ou menos o que senti de umas pessoas quando eu andava olhando pra cima e tropecei nos meus pés. Sim, eu tenho dezenove anos e ainda tropeço nos meus pés. As pessoas ao meu redor riram. Não, não riram comigo, riram da minha cara. E eu ri de volta, em resposta. Não, não ri com elas, ri delas. Sim. Ri porque tropecei por sonhar. Eu faço muito isso acordado porque dormir direito, por muito tempo, é algo que não me acontece comumente, como já foi dito acima. Mas, voltando, ri delas, senti pena. O que aconteceu comigo foi a tradução perfeita de uma metáfora. Mas pelo menos eu estava sonhando até o segundo seguinte do horizonte não poder ser mais visto pelo chão tampar a minha visão. E as outras pessoas? São só outras pessoas, que riam enquanto os sonhadores caíam, e elas olhavam pra frente, sempre pra frente. Se duvidar, elas sequer sabem as cores das lojas que tem nas ruas que elas passam todo dia, na rotina nojenta que elas seguem. Eu? Eu me corto, me corto porque tropeço, tropeço porque sonho. Mas, também, não é o fim do mundo, não é nenhuma morte. Morte por morte, todos a teremos, na sua devida hora. E também, se fosse, que se foda, não perderei nada quando isso acontecer nem ganharei. Simplesmente vai acontecer o que tem que acontecer e não se evita. O depois? É depois. Não sei a hora que vou dormir, muito menos saberei o que farei quando acordar. Isso, se eu dormir.
Mas, sim, eu tenho pena. Tenho pena porque as pessoas riem, enquanto eu me corto no chão.

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