Ainda me pergunto se os mortos sentem frio quando chove. Porque eu estou aqui, abaixo de um teto, acima de um piso. E os que se foram? Uma camada de terra, uma camada de larvas e gases podres, lágrimas e nenhuma sustentação. Queria poder colocar pelo menos minha voz quando o calor foge ou minha tristeza quando o mesmo vem por demais. Estranho pensar que quem, há pouco, respirava o mesmo ar que eu, hoje está sendo decomposto, pura amônia. O que resta? Um pouco mais de dentes, cabelos, ossos carcomido e carne podre? Ou a carne toda já foi metabolisada? Pouco importa agora, parando pra ver geralmente, não vai desfazer a imagem dantesca do sorriso eterno que lá se encontra. Também, pensando assim, vejo que seria ignorância demais me perguntar se eles sentem as intempéries do tempo se já aconteceu o início da volta ao pó. Aliás, seria loucura demais fazer toda uma teoria sobre o sentir de um morto.
Fiquei louco. Eu sei, fiquei louco. Viver não é pra mim. Onde é a próxima parada? Quero trocar de trem, talvez alguma outra dimensão, um buraco negro ou um buraco de minhoca, uma supernova, quasares ou pulsares, sei lá, mudança, simplesmente. Agora? Já?
Fui trocar de vida, volto depois.
- Eu acho.
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