Nunca gostei de nostalgia. Nunca me dei bem com nada que me fizesse ficar pensando, nunca gostei de pensar muito. Isso tudo é uma merda. Daquelas bem grandes. Praga do caralho. Até hoje fico pensando o motivo pra isso ter nascido grudado em mim, meu próprio câncer que ninguém mais já ouviu. Fico pensando também se tudo isso existia quando eu não tinha consciência do que há. Antes, tudo que eu pegava era apenas o que eu pegava, um motivo pr'eu me divertir, passar o tempo e ser despreocupado. Hoje, tudo que eu pego é mais do que imagino, um motivo pr'eu me deprimir, parar o tempo e ser preocupado. O que aconteceu? Eu cresci? Ou foi o mundo que me esfriou?
Algumas poucas vezes já cheguei a confessar a mim que havia mais motivos pra sorrir do que ser sério. Não ser sério de ser triste, ser sério de quem não gosta das condições atuais. Alguns desses motivos, hoje, são meus traumas. Alguns desses motivos, se há tempos me faziam continuar, hoje, me fazem retardar.
Continuo com a dúvida entre o crescimento e o congelamento. Se for crescer, parabéns, poeta, atingiste a idade adulta, tudo que você menos queria que fosse assim. Se for congelar, parabéns, humanidade, mais um que vocês tomam sem que o desgraçado se perceba.
Onde ficaram presas as crianças que haviam em mim? Estão perdidas, atormentas por essas ruas, estupradas e mortas as que não tiverem tanta sorte. Eu sou peço, existência, que poupe ao menos uma, pra que eu possa continuar mantendo em mim esse sonho de utopia. Não é pedir demais, existem mais de 6 bilhões de almas no mundo. Só essa, só essa vez, por favor. Só essa.
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