sábado, 23 de outubro de 2010

Então, mais um dia...

E que dia. Poucas são as vezes que eu falo sobre algo tão explicitamente, tão jogado na realidade. Mas esse precisa. Demais, por sinal.
O mundo é um lugar cru; eu nem sei mais onde irei parar. Além de cru, há, basicamente, um único fundamento: egocentrismo. Não sei ao certo se é o globo todo ou o país que eu vivo. Enfim, acho que não vem ao caso agora, não agora. Só sei que a integridade está escondida atrás de uma sombra tão negra quanto o asfalto sujo do encontro amável de dois automóveis.
Vez por outra, penso que posso levar meus pensamentos comigo cuidando apenas deles, mas é inevitável lembrar que não é desse modo que a verdade acontece. Logo, cá venho com meus parágrafos incompletos e imprecisos, preenchidos de aflições. Sei que não é bem assim que o mundo é, não tão insano quanto vejo, mas ninguém vê o mundo com a praga que me foi grampeada - eu também não o quis. Foda mesmo é saber que os tijolos dessa construção são as imagens podres de quatro rostos, e lembrar de um exato me faz querer parar o trem da minha vida, ou pular dessa janela com o mesmo em movimento. Talvez a agressividade que seja saltar me faça acordar mais rápido pra existência.
As confusões são tão intensas que me perco num mar de consciência. Tenho que arranjar uma maneira de intactar as minhas faculdades, apenas isso, porque no que depender da coincidência, atingirei o desequilíbrio mental em pouquíssimo tempo. Sinceramente, já o tentei algumas vezes e me desesperei por não ter encontrado uma saída, mas, que seja. Ainda há tanto que acontecer, que proteger-me agora seria privar-me de evoluir.
É quase como a formação que os elefantes tomam quando ficam em perigo: formam um círculo grande com dois menores internos. Respectivamente, adultos machos, fêmeas e machos crescidos e jovens. Elefantes, quem diria? Elefantes, sempre em maior quantidade e imponência, se colocam em posição de defesa perante alguns poucos predadores, menores em praticamente tudo. Portanto, me encontro no mesmo local que o elefante estaria: observando toda a velocidade voraz que o mundo devora as ideias ao redor, perto o bastante pra ser atingido ou, mesmo, morto.
O rio segue, e eu, sangro. Mas vou sobrevivendo.

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