Bom samaritanismo é o caralho. Não existe um humano sequer que esteja completamente indene às condições sujas da raça. Há, nem que escondido atrás da mais longínqua célula, uma pequena quantidade de egoísmo, de psicopatia e de filhadaputice. O problema - um dos mais antigos da praga - é quando a manifestação do veneno é através de uma porcentagem maior que a esperada. Esse é o problema. Sinto falta de quando o Tempo era o único que tinha razão. Tudo corria solto. O Vento era limpo, era livre. A Água era o parente mais próximo do cristal. Mas, daí, veio essa coisa que se diz inteligente, simplesmente por portar o raciocínio. Trouxe consigo a evolução das doenças, e ainda se diz soberana, tento uma qualificação biológica única e toda especial pra si. Assim como os vírus. Não é coincidência, caso pense-se o contrário. Somos tão virais quanto os próprios: vamos à margem e estupramos tudo que nos é possível. Quando a terra morre, partimos. Assim são os vírus. Assim são as pessoas. Talvez, ver que alguém sorri é motivo o bastante pra você querer o contrário. Já me bastam vadias com i's achando que o mundo roda no centro do seu umbigo. Talvez orbite o cu. Não é possível vir tanta merda de uma única pessoa. Bem, na verdade, é. E lá estão os políticos pra nos provar, mais uma vez, que bosta é tão suja quanto dinheiro.
- Meus olhos aflitos já escreveram seus livros de lágrimas. Basta?
- Quero mais milonga. - seria essa a sua resposta vil.
É claro que seria, quem é mimado na infância deverá ser mimado pro resto da vida fútil. Mas o karma é o karma. E eu terei o que mais amo nessa vida: vingança. E olharei, lá de cima, teu rosto a olhar pra baixo como quem pede perdão. E vou rir. Eu disse que não havia humano ileso: meu veneno é o sadismo, que, diga-se de passagem, eu amo. Civil, psicológico, físico e não necessariamente sexual, enfim, não vim aqui falar sobre teu sexo falho e completamente errado, mais um beco sem saída da genética.
Eu quero, no resumo de toda a eloquência, que você vá se foder. E depois que foder, que eu termine isso pra ti, enfiado a faca enferrujada arrancando-lhe os globos oculares.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Pela varanda, vejo várias nuvens imensas passarem pra lá e pra cá. Chove. Ao meu ver, elas choram. Pra mim, as nuvens são um dos maiores ícones sobre liberdade. O que é estranho, já que, agora, elas choram. A liberdade se encontrar em lágrimas deve significar um peso enorme no coração daquele que se encontra estagnado. Pra onde elas vão? De onde elas vieram?
- Tenho pra mim que o fato de vermos desenhos em seus corpos nos deveria dizer que elas querem alguém pra conversar.
- Queres tu dizer que a liberdade é igual a ser solitário?
- Quero eu dizer que a liberdade é a porta de entrada da loucura.
- Dá-me um cigarro.
- Loucura, sim, porque lá em cima elas estão aos montes. Não estão sós. E somos nós, humanos, que vemos seus desenhos no lugar das danças.
- Os solitários somos nós?
- Aqui o isqueiro.
- Tenho pra mim que o fato de vermos desenhos em seus corpos nos deveria dizer que elas querem alguém pra conversar.
- Queres tu dizer que a liberdade é igual a ser solitário?
- Quero eu dizer que a liberdade é a porta de entrada da loucura.
- Dá-me um cigarro.
- Loucura, sim, porque lá em cima elas estão aos montes. Não estão sós. E somos nós, humanos, que vemos seus desenhos no lugar das danças.
- Os solitários somos nós?
- Aqui o isqueiro.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
in memoriam
Tem hoje uma estrela brilhando mais forte no céu. Ao menos, no meu. Brilha longe e somente observa, calado, à noite, em sonho, aos sonhos. Dois anos de idade. E agora, escrevo, pois tenho muito a dizer, mas não o consigo, quisera eu transformar minha auto condolência em silêncio; é mais uma impossibilidade. Dois anos de espera pelo 'voltando pra casa!' e ainda sei que aguardarei um punhado de décadas. Ou não. Imagens. Restam-me imagens e, aos poucos, as poucas que são, também se vão indo. Mas não quer dizer que ficará o esquecimento. Ou melhor, sim, quer dizer. Ficará. Mas trarei no esquecimento a saudade.
Possuo milhões de células cerebrais e ainda não sou capaz de compreender o que houve. Onde entrou o começo do fim. Eu disse um 'até logo' querendo um 'logo', mas recebi uma facada.
'soube do que houve?', eles disseram que as vozes tristes. sim - eu respondi - soube que ele apresentou melhora hoje cedo. 'soube do que houve há pouco?', me retrucaram. E o inferno ficou mais próximo. Sei que não existo, mas sei que a saudade dói. É amarga. É ácida. Eterno e tão efêmero, o nome da irônica última música que eu ouvi ser cantada, a blusa era verde, a cor da pátria e o elevador chegou.
Imagino a angústia do ventre. Pudera eu poder dividi-la, poupar tão belo coração da tormenta que é esse dia. Mas eu não posso.
Meu nome é Ricardo e hoje, especialmente hoje, calo minha boca, costurando-a, se necessário for, em luto. Mas confesso não fazê-lo somente por tristeza e, sim, por calma à loucura: não há garganta que aguente o urro louco de quando se sente saudade.
Possuo milhões de células cerebrais e ainda não sou capaz de compreender o que houve. Onde entrou o começo do fim. Eu disse um 'até logo' querendo um 'logo', mas recebi uma facada.
'soube do que houve?', eles disseram que as vozes tristes. sim - eu respondi - soube que ele apresentou melhora hoje cedo. 'soube do que houve há pouco?', me retrucaram. E o inferno ficou mais próximo. Sei que não existo, mas sei que a saudade dói. É amarga. É ácida. Eterno e tão efêmero, o nome da irônica última música que eu ouvi ser cantada, a blusa era verde, a cor da pátria e o elevador chegou.
Imagino a angústia do ventre. Pudera eu poder dividi-la, poupar tão belo coração da tormenta que é esse dia. Mas eu não posso.
Meu nome é Ricardo e hoje, especialmente hoje, calo minha boca, costurando-a, se necessário for, em luto. Mas confesso não fazê-lo somente por tristeza e, sim, por calma à loucura: não há garganta que aguente o urro louco de quando se sente saudade.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
.ater etsixe oãn
E se você descobrisse um dia que a distância mais próxima é uma mentira? O que liga um ponto mais rapidamente a outro ponto, supostamente, há de ser um traço retilíneo e esse, por sua vez, é uma mera ilusão. Tudo, desde a primordial verdade à mais fútil mentira, é cíclico. Nunca há uma primeira vez, sempre houve uma segunda. Como prova, trago o horizonte. O beijo do fim do mundo costurado no começo do céu. Mais um ciclo: o fim de um no começo de outro. Uma grande verdade e uma imensa mentira, já que o horizonte não é o começo, muito menos o fim, apenas uma ilusão, assim com a reta. O mundo é quase uma esfera com pequenos achatamentos nos pólos devidos à rotação no próprio eixo. A Física, a maestria universal da inevitabilidade dos fatos, estuda as retas como faces de espelhos esféricos de raios infinitos. O horizonte, a 'linearidade', nada mais é do que uma ilusão de ótica. E é esse o apogeu da crônica: só nos são invariáveis os horizontes vistos de perto, pois, de longe, há uma esfera de possibilidades.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Eu, Ricardo Bandeira, me pus hoje, em plena era da loucura, da overdose de informação, a ficar imóvel. Como quem abre a porta de casa num dia quente pra olhar o céu cheio de nuvens, com a cara amostra, sofrendo nas intempéries do calor e da ausência do vento, quis ver o tempo passar. Há algo no correr das horas que me seduz, que me chama ao lado iluminado da insanidade. É o mesmo com a saudade: o massacre cardio-respiratório da ausência, por menos que eu queira, inspira. E eu morro por sentir falta, e quando sinto falta, o inferno me chega. E se o inferno me chega, confirmando a teoria, o tempo para. E se o tempo para, a saudade é maior. O vício natural, ao contrário do que se pensa, é sempre mais complexo que o veneno mais sintetizado pela raça humana. Eu não pedi que o coração se espremesse quando eu visse alguém que sofresse algo de qualquer sorte. Invejo as pessoas por não serem como sou.
foda-se.
foda-se.
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