Eu, Ricardo Bandeira, me pus hoje, em plena era da loucura, da overdose de informação, a ficar imóvel. Como quem abre a porta de casa num dia quente pra olhar o céu cheio de nuvens, com a cara amostra, sofrendo nas intempéries do calor e da ausência do vento, quis ver o tempo passar. Há algo no correr das horas que me seduz, que me chama ao lado iluminado da insanidade. É o mesmo com a saudade: o massacre cardio-respiratório da ausência, por menos que eu queira, inspira. E eu morro por sentir falta, e quando sinto falta, o inferno me chega. E se o inferno me chega, confirmando a teoria, o tempo para. E se o tempo para, a saudade é maior. O vício natural, ao contrário do que se pensa, é sempre mais complexo que o veneno mais sintetizado pela raça humana. Eu não pedi que o coração se espremesse quando eu visse alguém que sofresse algo de qualquer sorte. Invejo as pessoas por não serem como sou.
foda-se.
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