segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

in memoriam

Tem hoje uma estrela brilhando mais forte no céu. Ao menos, no meu. Brilha longe e somente observa, calado, à noite, em sonho, aos sonhos. Dois anos de idade. E agora, escrevo, pois tenho muito a dizer, mas não o consigo, quisera eu transformar minha auto condolência em silêncio; é mais uma impossibilidade. Dois anos de espera pelo 'voltando pra casa!' e ainda sei que aguardarei um punhado de décadas. Ou não. Imagens. Restam-me imagens e, aos poucos, as poucas que são, também se vão indo. Mas não quer dizer que ficará o esquecimento. Ou melhor, sim, quer dizer. Ficará. Mas trarei no esquecimento a saudade.
Possuo milhões de células cerebrais e ainda não sou capaz de compreender o que houve. Onde entrou o começo do fim. Eu disse um 'até logo' querendo um 'logo', mas recebi uma facada.
'soube do que houve?', eles disseram que as vozes tristes. sim - eu respondi - soube que ele apresentou melhora hoje cedo. 'soube do que houve há pouco?', me retrucaram. E o inferno ficou mais próximo. Sei que não existo, mas sei que a saudade dói. É amarga. É ácida. Eterno e tão efêmero, o nome da irônica última música que eu ouvi ser cantada, a blusa era verde, a cor da pátria e o elevador chegou.
Imagino a angústia do ventre. Pudera eu poder dividi-la, poupar tão belo coração da tormenta que é esse dia. Mas eu não posso.
Meu nome é Ricardo e hoje, especialmente hoje, calo minha boca, costurando-a, se necessário for, em luto. Mas confesso não fazê-lo somente por tristeza e, sim, por calma à loucura: não há garganta que aguente o urro louco de quando se sente saudade.

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