quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O tempo.

Daqui a dez anos, quinze, ou sei lá quantos anos, quanto de mim ainda haverá em mim? Da loucura, tenho uma teimosa mania de arrancar uma reflexão. As coisas me tem passado tão rapidamente, que quando paro pra olhar o que restou aqui, só sobraram as cicatrizes resultadas da velocidade de mudança nesse corpo.
Tenho saudade daquela voz cansada que vinha à minha cabeça sempre que eu estava só, tenho sido atormentado por alguns novos fantasmas e faço coisas, hoje, que, no passado, seriam impensáveis no meu ser.
Eu já me espantei ao olhar pra trás e ver o quanto de mim ficou jogado nos cantos onde passei. Sim, ficam pedaços. Meus, seus e de qualquer um. É mais ou menos como João e Maria, que deixaram as migalhas de pão no caminho pra saber como voltar pra casa, a diferença é que vemos nossas migalhas de pele, mas não a seguimos. E o passado, o éramos, está lá e continua lá. Intocado na nossa mente, guardado pra nunca mais ser usado, mesmo que queiramos trazer de volta algum sentimento, dia ou coisa do tipo.
É essa impossibilidade na vida que serve de estro pro poetas ou edro seguro pros filósofos.
Não importa qual a sua religão ou sonho, não importa mais nada. Você sempre terá um segundo que nunca está à disposição, um momento único de ligação do passado com um futuro e o motivo é simples: o passado é findado e assim continuará, o futuro é previsível e depende do que acontece pelos atos e o agora é uma dádiva, por isso que se chama presente.
O que é inevitável é não deixar pedaços jogados em alguns lugares.

Nenhum comentário:

Postar um comentário