terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Doença.
Não há um ser sequer que traga a porra do prefixo que permaneça incólume às garras da irresponsabilidade. Simplesmente, não há. Nem haverá, e não será em mim que a história mudará seu curso, num corpo frágil de um verme megalomaníaco. Sou apenas carbono, nada além que informações percorrendo meus sistemas e sangue. A consciência é uma coincidência, apenas. Nada mais que organismos simples numa rocha qualquer. Líquens, somente maiores e tão depentende quantos da simbiose. Mas nos caracterizaríamos melhor na qualidade de 'vírus' que, por definição, não vive fora de uma célula, desperta apenas pra abusar do material genético da vítima e, quando o faz, vai embora. Assim caminha a humanidade. Ou, 'Assim caminha o humanismo'. Destruído tudo ao redor e movendo-se à frente, ao próximo alvo. Tenho pena do planeta seguinte.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
entre sete e oito.
Por muita vezes eu usei a imagem da mãe que tem o filho terminal nos braços. Construí imagens como essa pra causar um certo choque em quem lia. Mas, hoje, venho trazer uma variação dessa. Pegai o primeiro ser e ponha no lugar do segundo e o segundo, pegai e punhai no lugar do primeiro, tendo, assim, após a equação, o filho que segura a mãe. É quase isso. A apresentação está findada, agora, a história.
Porta, passos, esquerda, passos, direita, passos, pia, passos, elevador, passos pra lá, passos pra cá, passos pra lá, pergunta. Então, a vi. Dormia. Pálida, estranhamente quieta. Eu, fruto da sua inquietância, a vi parada, naquele estado, e diminuí a velocidade. O quarto branco com umas luzes no teto me fizeram lembrar da teoria do quarto branco. Então, minha mão encontrou o alvo, frio.
- Oi, mãe.
- Oi, filho.
E a conversa prosseguiu, até que a bexiga mandasse o sinal de existência. Ela não pode levantar-se só. Ela não pode levantar-se só. Complicado é ver quem um dia te segurou e fez surgir estrelas nas tuas costas, teu apoio, precisar de tua mão pra sair da horizontal e encontrar a vertical. Complicado é deixar de ser criança e saber que a criptonita dos teus pais é algo extremamente banal, chamado tempo. Daí, chorei. Calado, pra dentro, escondido por trás dos locais onde havia sombra no quarto, encostado na cama, enquanto o banheiro era utilizado. E nada eu podia fazer. Chorei. Silenciosamente, decorei cada canto daquele cômodo e me ofereci pra atravessar a noite, não deixá-la só. Claro, como toda mãe, não aprovou.
- Trago algum saramago ou um vinicius.
- E onde tu dormirias?
- Quem já dormiu na carteira do colégio acha a poltrona do hospital um oásis.
- Não.
Olhei-a, tentando, dificilmente, segurar o choro. Sou câncer. Ainda segurava sua mão, ainda gelada mão. Ela reclamou da luz outrora sido ligada, apaguei-a.
- Tem certeza?
- Tenho.
Beijei o rosto da criança sendo eu o adulto daquele momento. 'eu te amo', sussurrei. Amo demais. E saí.
Porta, passos, esquerda, passos, direita, passos, pia, passos, elevador, passos pra lá, passos pra cá, passos pra lá, pergunta. Então, a vi. Dormia. Pálida, estranhamente quieta. Eu, fruto da sua inquietância, a vi parada, naquele estado, e diminuí a velocidade. O quarto branco com umas luzes no teto me fizeram lembrar da teoria do quarto branco. Então, minha mão encontrou o alvo, frio.
- Oi, mãe.
- Oi, filho.
E a conversa prosseguiu, até que a bexiga mandasse o sinal de existência. Ela não pode levantar-se só. Ela não pode levantar-se só. Complicado é ver quem um dia te segurou e fez surgir estrelas nas tuas costas, teu apoio, precisar de tua mão pra sair da horizontal e encontrar a vertical. Complicado é deixar de ser criança e saber que a criptonita dos teus pais é algo extremamente banal, chamado tempo. Daí, chorei. Calado, pra dentro, escondido por trás dos locais onde havia sombra no quarto, encostado na cama, enquanto o banheiro era utilizado. E nada eu podia fazer. Chorei. Silenciosamente, decorei cada canto daquele cômodo e me ofereci pra atravessar a noite, não deixá-la só. Claro, como toda mãe, não aprovou.
- Trago algum saramago ou um vinicius.
- E onde tu dormirias?
- Quem já dormiu na carteira do colégio acha a poltrona do hospital um oásis.
- Não.
Olhei-a, tentando, dificilmente, segurar o choro. Sou câncer. Ainda segurava sua mão, ainda gelada mão. Ela reclamou da luz outrora sido ligada, apaguei-a.
- Tem certeza?
- Tenho.
Beijei o rosto da criança sendo eu o adulto daquele momento. 'eu te amo', sussurrei. Amo demais. E saí.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Então a vi passar. Eu, no sedentarismo medieval e ela fazendo o que todo nordestino faz de melhor: aguenta o sol. Pés descalços, negros de lama, negros no negro do asfalto, contrastado com o céu de nuvens densas. Mas Vitória continuaria a andar, mesmo sem rumo, mesmo sem norte. Ela andaria, sabia que ficar parada era se entregar numa bandeja de prata nas mãos da Morte, que, na visão dos burgueses filhos da puta, seria denominado 'limpeza social'. Havia tanta sede naquele ser desgraçado que sua língua saltava pra fora como um cachorro qualquer, o que ela quase não deixava de ser. Afinal, é sobre isso que veio falar, sobre a animalização. Pura ironia. E eu amo essa ironia que deixa inquietos alguns mais sensíveis. Mas eu gostaria de deixá-los incomodados mesmo como a sede que vem te bater à porta qualquer hora do dia. 'Porta', claro, porque casa de cachorro não tem porta. Eu no conforto do automóvel e ela na moléstia do tempo. Sofria as intempéries com a maior naturalidade que seu instinto poderia ultrapassá-los. Enquanto eu me via perdido, sem saber pra onde ir, simplesmente por não saber qual profissão seguir. Mantinha minhas dúvidas e as fazia serem o drama de um filme, enquanto Vitória supera os terrores físicos com uma naturalidade surpreendente. Não era nenhuma seca de 15, mas vai tu se postar sobre o asfalto ardente no sol que fode o Ceará às 12. Queria ver tu caminhar com a leveza que ela atravessava a rua, sem nenhum momento de desespero. Então, pensei. E pensei. Nada fiz, só pensei. O sinal abriu enquanto o ato me era feito e o carro andou. Passaram-se algumas vitrines coloridas, escritas 'venham, queimem seu dinheiro com a mais nova futilidade inventada pra te tornar mais dependente'. Preferi olhar pra palavra 'promoção' do que ficar a me humanizar com aquela indigente.
- Humanizar? Eu realmente falei isso? Desculpe-me, mente, queria ter dito humanismo. A doença é melhor que a praga que eu sustento com meus impostos.
Comprei tudo que eu não precisava e voltei a conversar com a imaginação.
- Sobre o que falávamos mesmo?
- Humanizar? Eu realmente falei isso? Desculpe-me, mente, queria ter dito humanismo. A doença é melhor que a praga que eu sustento com meus impostos.
Comprei tudo que eu não precisava e voltei a conversar com a imaginação.
- Sobre o que falávamos mesmo?
sábado, 11 de dezembro de 2010
- Lúcia.
- Prazer.
Mas o prazer maior foi eu perceber que ela não poderia ver o mundo como ele realmente se encontra. Ou poderia, não sei ao certo. A única certeza que tenho é de que ela não poderia senti-lo, vendo, ou não. Imagine o amor da sua vida, agora, imagine o amor da sua vida sendo estuprada. Num quarto branco. Uma luz amarela no teto. Um lençol manchado de sangue. E o amor da sua vida sendo vítima do estupro. É esse o mundo que Lúcia não poderia ver. Ou poderia, não sei ao certo. A única certeza que tenho é de que ela não poderia senti-lo, vendo, ou não. Ver. Um ponto de vista. É tudo sempre um ponto de vista. Uma tesoura na traquéia, matando aos poucos o desgraçado sem ar, antes que me fuja o exemplo, mas ainda sim, é tudo um ponto de vista. Assim como o estupro: feitiche doentio ou doentio feitiche. A linha entre o crime e o carnal é tênue. E a lucidez também. É o lençol manchado de sangue da sociedade. A vítima estuprada do humanismo.
- Eu morri.
A justiça é cega, não preciso de provas, não preciso de condenações, basta-me a realidade.
- O que?
- Prazer.
Mas o prazer maior foi eu perceber que ela não poderia ver o mundo como ele realmente se encontra. Ou poderia, não sei ao certo. A única certeza que tenho é de que ela não poderia senti-lo, vendo, ou não. Imagine o amor da sua vida, agora, imagine o amor da sua vida sendo estuprada. Num quarto branco. Uma luz amarela no teto. Um lençol manchado de sangue. E o amor da sua vida sendo vítima do estupro. É esse o mundo que Lúcia não poderia ver. Ou poderia, não sei ao certo. A única certeza que tenho é de que ela não poderia senti-lo, vendo, ou não. Ver. Um ponto de vista. É tudo sempre um ponto de vista. Uma tesoura na traquéia, matando aos poucos o desgraçado sem ar, antes que me fuja o exemplo, mas ainda sim, é tudo um ponto de vista. Assim como o estupro: feitiche doentio ou doentio feitiche. A linha entre o crime e o carnal é tênue. E a lucidez também. É o lençol manchado de sangue da sociedade. A vítima estuprada do humanismo.
- Eu morri.
A justiça é cega, não preciso de provas, não preciso de condenações, basta-me a realidade.
- O que?
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Quando a homenagem é um fardo vivido.
Vitória, eu te amo. Eu te amo. E te peço pra que não fiques a ter pena desse pai que apenas te escreveu e nunca vos teve.
(vide rita - rubem braga)
(vide rita - rubem braga)
Eu já vivi tudo isso. Toda essa velocidade de corpos borrados, quase alcalinos, simplesmente, entropia. É uma bagunça. A vida se repete, falha, a cada esquina que ouso virar. Dos sorrisos aos olhares, até os telefones e números discados. Em algum lugar ficou uma parada, em algum lugar aparecerá uma parada e eu a tomarei. Nada de 'parem a vida, eu quero descer'. Isso, pra mim, é simplesmente um clichê gritante de quem não tem nada a dizer. A vida é uma constante estática. Completamente mutável, mas ela sempre estará lá. Assim como o tempo, o controle do caos, a desordem nomeada e domada por um titã, vencido apenas, uma única vez, por um deus. O que o passado exaltava, hoje eu vejo aprisionada entre as grades de metais brilhantes nos pulsos da humanidade. Que, por sinal, não passa de uma doença viral: humanismo, eu diria. Isso é a vida, essa sucessão de alegorias aleatórias e sem sentido, esse abismo que me separa do segundo que deixei pra trás e do segundo iminente. Eu nunca os poderia viver, quando pensar em aproveitá-los, já aconteceram ou ainda não aconteceram. Isso é a vida, essa loucura é a vida. Salvem seus relógios, que o dia anoiteceu e a noite é amanhã.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
A pior parte do pós-perder alguém, é passar a dizer no passado findado o que nós éramos acostumados a falar no presente intermidado. 'Ele era meu melhor amigo'. Nada pior que aceitar a inevitabilidade da morte. Nada pior que passar dias e dias tentando encontrar uma prova de que tudo isso é mentira, que, em algum momento perdido na memória, haviam pistas que provavam que tudo era uma piada de péssimo gosto.
- Eles não morreram. A terra os engoliu, não há joelho que os traga de volta, mas eles não morreram.
- Ricardo, deixa-me. Vá embora, eu não preciso de mais motivo pra detestar isso que chamam de 'única certeza'.
Mas lá, continuam. Abaixo de um lençol de vermes, a apodrecerem e voltarem à natureza. A velha frase ganha o ciclo: do pó viemos e ao pó voltaremos.
Tudo é uma questão de insanidade.
- Eles não morreram. A terra os engoliu, não há joelho que os traga de volta, mas eles não morreram.
- Ricardo, deixa-me. Vá embora, eu não preciso de mais motivo pra detestar isso que chamam de 'única certeza'.
Mas lá, continuam. Abaixo de um lençol de vermes, a apodrecerem e voltarem à natureza. A velha frase ganha o ciclo: do pó viemos e ao pó voltaremos.
Tudo é uma questão de insanidade.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Não há mais salvação.
Procuram-se os bandidos errados. Enquanto matam-se centenas e prendem milhares nas favelas espalhadas pelo país, os filhos da puta de terno e gravata, que roubam milhões, escapam ilesos. Corrupção pura. Os jovens que nascem favelados vão morrer favelados, e quem entra lá, o policial bonzinho da sociedade, é o vilão que matou o pai do melhor amigo nas indigências. Meu ovo. Os senhores do crime são os caras dos altos patamares, ricos, dinheiro sujo de sangue e de cocaína, exploradores e sucumbidores dos alicerceres desse Estado completamente falido. Claro, generalizações à parte. Mas e se a melhoria de vida de um favelado, jogado às margens da sociedade, escondido dos olhos das câmeras globais for somente pelo roubo? Ele vai roubar, ele vai arriscar a vida. O que ele tem a perder? Nada, ele não tem nada, não tem nada a perder. Pense no céu que agora deve te cobrir: nublado. Pra você, ótimo. Clima ameno numa cidade tão quente, perfeito pra dormir. Pra você, hipócrita. Pro que está na favela, é o medo vindo manifestando pelos céus: chuva, enchente no esgosto na frente da casa dele que está entupido há anos, doenças que se proliferam e vêm bater à porta pra levar embora os filhos, que não têm como se salvar porque a saúde pública também tá falida, é o sono interrompido à noite quando a cama começar a flutuar e ele acordar com a água no joelho. É o reflexo dessa linda história de quinhentos anos, quinhentos anos de frequesia. Enquanto houve condições, ninguém quis fazer porra nenhuma, agora os filhos dos nossos medos estão se levantando, após décadas sendo criados e massacrados na lama, os monstros sociais alcançam as vozes mais altas, eles têm os olhos do mundo. E nós? Temos a mão na frente da cara, como uma tentativa infantil de se cobrir com o lençol do monstro do armário. A diferença é que esse monstro é real, disposto a morrer, disposto a matar, disposto a obedecer ordens de tirar a tua mão da cara e te humilhar, como foram humilhados, enquanto eles quiserem. Grita, grita muito alto, corre pra longe. Em todo canto há uma favela com suicidas. Eles têm o ataque, nós, a defesa. E só pra não quebrar o ritmo desse país, a defesa, por sua vez, é falha. Acabar com o terror? Eles riem de nós, 'futuro da nação', nossa vala está cavada. A mão que tapava teus olhos agora suja de areia a tua vista. Coincidência? Nenhuma, tuas próprias mãos e tuas negligências, nossas negligências, foram o fermento dessa calamidade. Não se investe em educação, mal se dá 'bons dias', agora querem acabar de uma só vez com algo cultivado há anos? Nem a realidade que nos chega é completamente real, quanto mais fazer algo que queremos assim. Dante já avisou: Percam todas as esperanças. Estamos todos no Inferno. Só nos resta esperar por Virgílio, ou alguma Beatriz.
sábado, 20 de novembro de 2010
Já se passaram anos desde o último dia que eu aleguei que pude dormir em paz. Como já foi implicitado, ainda não consigo fazê-lo completamente. E como sinto tua falta. Até aquele lado frio da cama te sente falta. O outro, não, pois mudei meus custumes e passei a conhecer o outro lado do quarto desde quando você foi embora. Sono, volta. Sono, volta. E me deixa aproveitar mais atento os cantos que a vida me joga. Já não há mais eco que eu não saiba decorado, ou posição de estrelas que eu não conheça. Esse é o lado bom da mudança: novos horizontes, lirealmente falando, a serem vistos em todas as horas do dia. Não falo dos fantasmas nem dos demônios, vou precisar muito mais que um endereço novo pra poder expurgá-los. Loucura? Quisera eu que fossem. Quisera, também, que aquela imagem e aquele cheiro fosse embora, largasse de mim. O problema é que o cheiro e a imagem são do agora, o que eu quero, é passado, portanto, é impossibilidade. É o velho que se foda. Eu precisaria muito mais do que um mundo em que todos entendessem a ordem que as coisas seguem ou a intensidade de um breakdown - parabéns tu que leste essa frase agora, é a primeira vez que este poeta autocondecorado usa extrangeirismo por si só. E como se não bastasse, a noite que vem chegando vem trazendo nuvens escuras, obviamente. Tenho pra mim que nunca poderei expressar a vontade que tenho de me jogar dessa varanda na esperança de cair numa delas. Mesmo que pudesse, não quer dizer que as pessoas vão realmente compreender, eu me passaria mais por suicida do que esperançoso, não que me importasse. Eu não tenho o dogma de achar que iria ao inferno por isso, mesmo que tivesse, sei discernir uma vontade de uma prisão. Essa prisão descrita não é a mesma que me encontro, que fique bem entendido. A atual é igualmente metafórica, mas impede tanto quando uma física qualquer, ou um complemento não encontrado numa oração. Assim como já não consigo encaixar mais de duas sentenças numa mesma frase, começo a achar que é melhor eu deixar isso incompleto, assim como meu sono.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
se eu pudesse manifestar um décimo dessa loucura
toda que há no meu cérebro
não haveria palavra o bastante pra traduzir tudo que fosse descritível.
seria mais ou menos como um nocaute
um soco na cara, a massa encefálica contra as paredes do crânio e a resposta súbita do desligar
não, eu não me orgulho disso, muitíssimo pelo contrário:
dessa loucura gostaria eu de me livrar.
- eu estou sempre a pensar em algo.
isso cansa, brutalmente.
olhar pros outros, pra cada rosto, e sentir saudade,
ou ver como estão a sofrer,
também não é algo que eu me orgulhe.
enquanto muita gente precisa de aviso pra notar que as outras pessoas sofrem,
pra mim, basta apenas eu vê-las.
agora, traga uma imagem à teus olhos fechados
e dessa imagem imagine sendo eu você.
tu te sentirias bem? não, é claro que não.
mas também não tem ideia do que falo
nem queira.
eu não me orgulho.
mas em compensação amo as poesias, as rimas,
os desencontros
e a maneira em como se torna mais belo pelos olhos dos poetas.
ironia, oh, ironia.
apenas ficam mais belas por serem as piores.
é como amar, não é feliz nem faz bem em muito mais da metade do tempo,
mas, na poesia, quem não se sentiria bem?
porém mantendo esse raciocínio, meu escarrar agora tornaria esse sentimento
em mim
algo que eu gosto e cuido.
mas, não, não é.
é poesia.
toda que há no meu cérebro
não haveria palavra o bastante pra traduzir tudo que fosse descritível.
seria mais ou menos como um nocaute
um soco na cara, a massa encefálica contra as paredes do crânio e a resposta súbita do desligar
não, eu não me orgulho disso, muitíssimo pelo contrário:
dessa loucura gostaria eu de me livrar.
- eu estou sempre a pensar em algo.
isso cansa, brutalmente.
olhar pros outros, pra cada rosto, e sentir saudade,
ou ver como estão a sofrer,
também não é algo que eu me orgulhe.
enquanto muita gente precisa de aviso pra notar que as outras pessoas sofrem,
pra mim, basta apenas eu vê-las.
agora, traga uma imagem à teus olhos fechados
e dessa imagem imagine sendo eu você.
tu te sentirias bem? não, é claro que não.
mas também não tem ideia do que falo
nem queira.
eu não me orgulho.
mas em compensação amo as poesias, as rimas,
os desencontros
e a maneira em como se torna mais belo pelos olhos dos poetas.
ironia, oh, ironia.
apenas ficam mais belas por serem as piores.
é como amar, não é feliz nem faz bem em muito mais da metade do tempo,
mas, na poesia, quem não se sentiria bem?
porém mantendo esse raciocínio, meu escarrar agora tornaria esse sentimento
em mim
algo que eu gosto e cuido.
mas, não, não é.
é poesia.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Cárcere não carece.
As gargantas que gritam desesperadas não parecem mais chamar atenção - se é que algum dia chamaram. Agora sobram só as chamas que dançam loucas e intermináveis por trás dos olhos dele. Queimam afogando os dedos no fundo da traqueia que luta incansável por um único suspiro, uma única chance de poder utilizar a voz e demonstrar que está viva. Mas parece que o mundo está a andar pro lado contrário, porque a juventude que eu divido a idade parece mais preocupada com a marca da blusa do que com a cultura que ela bebe. E isso me enoja. O que me resta é vir jogar todas as palavras que consigo numa tela, a resposta mais crua do autismo, e perder a linha do meu raciocínio. Sim, eu sei que não sou parâmetro, tampouco queria eu ser, mas as pilastras não precisavam ser corroídas assim, não há concreto que resista tamanho egoísmo.
Os dedos já mancham tanto as fotografias que não haverá tinta pra que os filhos saibam da negligência que foi vivida. Mas ainda sobrarão os oceanos gélidos da falsidade que serve de cálcio; no futuro será um punhado de agulha cutucando as partes expostas de vossas espinhas, e, assim, o globo definha, nem mais o céu é azul.
Quando o mundo definhar, linha por linha, cruz por cruz, lá estarão os fantasmas a celebrar o mutirão que há de encontrá-los após, os olhos, por sua vez, fechar-se-ão, e com a dor eu te descrevo o novo lar que se tornaria este fardo que tu chama de casa. Os muros do teu edifício são baseados no branco que falha a tua casa, simplesmente, e edro que te serve de piso é miragem, projeção aleatória da sua mente. 'Mente', é a palavra que eu queria proferir desde o início.
- A mente mente e que sofre é demente.
O nome dela? Eu mesmo dei: insanidade. Gostaste? O que inspira é tu.
Os dedos já mancham tanto as fotografias que não haverá tinta pra que os filhos saibam da negligência que foi vivida. Mas ainda sobrarão os oceanos gélidos da falsidade que serve de cálcio; no futuro será um punhado de agulha cutucando as partes expostas de vossas espinhas, e, assim, o globo definha, nem mais o céu é azul.
Quando o mundo definhar, linha por linha, cruz por cruz, lá estarão os fantasmas a celebrar o mutirão que há de encontrá-los após, os olhos, por sua vez, fechar-se-ão, e com a dor eu te descrevo o novo lar que se tornaria este fardo que tu chama de casa. Os muros do teu edifício são baseados no branco que falha a tua casa, simplesmente, e edro que te serve de piso é miragem, projeção aleatória da sua mente. 'Mente', é a palavra que eu queria proferir desde o início.
- A mente mente e que sofre é demente.
O nome dela? Eu mesmo dei: insanidade. Gostaste? O que inspira é tu.
domingo, 14 de novembro de 2010
The Ocean - December Wants Vengeance; (contradição)
This building is fucking falling.
So kill the disease before the sky; collapse.
That plague can't be done.
So kill the disease before the sky; collapse.
That plague can't be done.
Achei engraçado quando acordei numa madrugada qualquer, normal, com algumas poucas nuvens escuras no céu e os prédios escuros ao longe. Poucas eram as luzes acesas nos quartos. Eu fiz o que era mais óbvio de se fazer no que se acontecia: gritei. Da varanda, pro nada, pra ninguém ouvir, pra nada responder. Eu gritei. Simplesmente gritei. Pareceu estranho pra você? Eu te tenho pena; você está fodido. É mais ou menos o que senti de umas pessoas quando eu andava olhando pra cima e tropecei nos meus pés. Sim, eu tenho dezenove anos e ainda tropeço nos meus pés. As pessoas ao meu redor riram. Não, não riram comigo, riram da minha cara. E eu ri de volta, em resposta. Não, não ri com elas, ri delas. Sim. Ri porque tropecei por sonhar. Eu faço muito isso acordado porque dormir direito, por muito tempo, é algo que não me acontece comumente, como já foi dito acima. Mas, voltando, ri delas, senti pena. O que aconteceu comigo foi a tradução perfeita de uma metáfora. Mas pelo menos eu estava sonhando até o segundo seguinte do horizonte não poder ser mais visto pelo chão tampar a minha visão. E as outras pessoas? São só outras pessoas, que riam enquanto os sonhadores caíam, e elas olhavam pra frente, sempre pra frente. Se duvidar, elas sequer sabem as cores das lojas que tem nas ruas que elas passam todo dia, na rotina nojenta que elas seguem. Eu? Eu me corto, me corto porque tropeço, tropeço porque sonho. Mas, também, não é o fim do mundo, não é nenhuma morte. Morte por morte, todos a teremos, na sua devida hora. E também, se fosse, que se foda, não perderei nada quando isso acontecer nem ganharei. Simplesmente vai acontecer o que tem que acontecer e não se evita. O depois? É depois. Não sei a hora que vou dormir, muito menos saberei o que farei quando acordar. Isso, se eu dormir.
Mas, sim, eu tenho pena. Tenho pena porque as pessoas riem, enquanto eu me corto no chão.
Mas, sim, eu tenho pena. Tenho pena porque as pessoas riem, enquanto eu me corto no chão.
domingo, 31 de outubro de 2010
Réquiem.
Ainda me pergunto se os mortos sentem frio quando chove. Porque eu estou aqui, abaixo de um teto, acima de um piso. E os que se foram? Uma camada de terra, uma camada de larvas e gases podres, lágrimas e nenhuma sustentação. Queria poder colocar pelo menos minha voz quando o calor foge ou minha tristeza quando o mesmo vem por demais. Estranho pensar que quem, há pouco, respirava o mesmo ar que eu, hoje está sendo decomposto, pura amônia. O que resta? Um pouco mais de dentes, cabelos, ossos carcomido e carne podre? Ou a carne toda já foi metabolisada? Pouco importa agora, parando pra ver geralmente, não vai desfazer a imagem dantesca do sorriso eterno que lá se encontra. Também, pensando assim, vejo que seria ignorância demais me perguntar se eles sentem as intempéries do tempo se já aconteceu o início da volta ao pó. Aliás, seria loucura demais fazer toda uma teoria sobre o sentir de um morto.
Fiquei louco. Eu sei, fiquei louco. Viver não é pra mim. Onde é a próxima parada? Quero trocar de trem, talvez alguma outra dimensão, um buraco negro ou um buraco de minhoca, uma supernova, quasares ou pulsares, sei lá, mudança, simplesmente. Agora? Já?
Fui trocar de vida, volto depois.
- Eu acho.
Fiquei louco. Eu sei, fiquei louco. Viver não é pra mim. Onde é a próxima parada? Quero trocar de trem, talvez alguma outra dimensão, um buraco negro ou um buraco de minhoca, uma supernova, quasares ou pulsares, sei lá, mudança, simplesmente. Agora? Já?
Fui trocar de vida, volto depois.
- Eu acho.
sábado, 23 de outubro de 2010
Então, mais um dia...
E que dia. Poucas são as vezes que eu falo sobre algo tão explicitamente, tão jogado na realidade. Mas esse precisa. Demais, por sinal.
O mundo é um lugar cru; eu nem sei mais onde irei parar. Além de cru, há, basicamente, um único fundamento: egocentrismo. Não sei ao certo se é o globo todo ou o país que eu vivo. Enfim, acho que não vem ao caso agora, não agora. Só sei que a integridade está escondida atrás de uma sombra tão negra quanto o asfalto sujo do encontro amável de dois automóveis.
Vez por outra, penso que posso levar meus pensamentos comigo cuidando apenas deles, mas é inevitável lembrar que não é desse modo que a verdade acontece. Logo, cá venho com meus parágrafos incompletos e imprecisos, preenchidos de aflições. Sei que não é bem assim que o mundo é, não tão insano quanto vejo, mas ninguém vê o mundo com a praga que me foi grampeada - eu também não o quis. Foda mesmo é saber que os tijolos dessa construção são as imagens podres de quatro rostos, e lembrar de um exato me faz querer parar o trem da minha vida, ou pular dessa janela com o mesmo em movimento. Talvez a agressividade que seja saltar me faça acordar mais rápido pra existência.
As confusões são tão intensas que me perco num mar de consciência. Tenho que arranjar uma maneira de intactar as minhas faculdades, apenas isso, porque no que depender da coincidência, atingirei o desequilíbrio mental em pouquíssimo tempo. Sinceramente, já o tentei algumas vezes e me desesperei por não ter encontrado uma saída, mas, que seja. Ainda há tanto que acontecer, que proteger-me agora seria privar-me de evoluir.
É quase como a formação que os elefantes tomam quando ficam em perigo: formam um círculo grande com dois menores internos. Respectivamente, adultos machos, fêmeas e machos crescidos e jovens. Elefantes, quem diria? Elefantes, sempre em maior quantidade e imponência, se colocam em posição de defesa perante alguns poucos predadores, menores em praticamente tudo. Portanto, me encontro no mesmo local que o elefante estaria: observando toda a velocidade voraz que o mundo devora as ideias ao redor, perto o bastante pra ser atingido ou, mesmo, morto.
O rio segue, e eu, sangro. Mas vou sobrevivendo.
O mundo é um lugar cru; eu nem sei mais onde irei parar. Além de cru, há, basicamente, um único fundamento: egocentrismo. Não sei ao certo se é o globo todo ou o país que eu vivo. Enfim, acho que não vem ao caso agora, não agora. Só sei que a integridade está escondida atrás de uma sombra tão negra quanto o asfalto sujo do encontro amável de dois automóveis.
Vez por outra, penso que posso levar meus pensamentos comigo cuidando apenas deles, mas é inevitável lembrar que não é desse modo que a verdade acontece. Logo, cá venho com meus parágrafos incompletos e imprecisos, preenchidos de aflições. Sei que não é bem assim que o mundo é, não tão insano quanto vejo, mas ninguém vê o mundo com a praga que me foi grampeada - eu também não o quis. Foda mesmo é saber que os tijolos dessa construção são as imagens podres de quatro rostos, e lembrar de um exato me faz querer parar o trem da minha vida, ou pular dessa janela com o mesmo em movimento. Talvez a agressividade que seja saltar me faça acordar mais rápido pra existência.
As confusões são tão intensas que me perco num mar de consciência. Tenho que arranjar uma maneira de intactar as minhas faculdades, apenas isso, porque no que depender da coincidência, atingirei o desequilíbrio mental em pouquíssimo tempo. Sinceramente, já o tentei algumas vezes e me desesperei por não ter encontrado uma saída, mas, que seja. Ainda há tanto que acontecer, que proteger-me agora seria privar-me de evoluir.
É quase como a formação que os elefantes tomam quando ficam em perigo: formam um círculo grande com dois menores internos. Respectivamente, adultos machos, fêmeas e machos crescidos e jovens. Elefantes, quem diria? Elefantes, sempre em maior quantidade e imponência, se colocam em posição de defesa perante alguns poucos predadores, menores em praticamente tudo. Portanto, me encontro no mesmo local que o elefante estaria: observando toda a velocidade voraz que o mundo devora as ideias ao redor, perto o bastante pra ser atingido ou, mesmo, morto.
O rio segue, e eu, sangro. Mas vou sobrevivendo.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
De quando eu tive mania de brincar.
Nunca gostei de nostalgia. Nunca me dei bem com nada que me fizesse ficar pensando, nunca gostei de pensar muito. Isso tudo é uma merda. Daquelas bem grandes. Praga do caralho. Até hoje fico pensando o motivo pra isso ter nascido grudado em mim, meu próprio câncer que ninguém mais já ouviu. Fico pensando também se tudo isso existia quando eu não tinha consciência do que há. Antes, tudo que eu pegava era apenas o que eu pegava, um motivo pr'eu me divertir, passar o tempo e ser despreocupado. Hoje, tudo que eu pego é mais do que imagino, um motivo pr'eu me deprimir, parar o tempo e ser preocupado. O que aconteceu? Eu cresci? Ou foi o mundo que me esfriou?
Algumas poucas vezes já cheguei a confessar a mim que havia mais motivos pra sorrir do que ser sério. Não ser sério de ser triste, ser sério de quem não gosta das condições atuais. Alguns desses motivos, hoje, são meus traumas. Alguns desses motivos, se há tempos me faziam continuar, hoje, me fazem retardar.
Continuo com a dúvida entre o crescimento e o congelamento. Se for crescer, parabéns, poeta, atingiste a idade adulta, tudo que você menos queria que fosse assim. Se for congelar, parabéns, humanidade, mais um que vocês tomam sem que o desgraçado se perceba.
Onde ficaram presas as crianças que haviam em mim? Estão perdidas, atormentas por essas ruas, estupradas e mortas as que não tiverem tanta sorte. Eu sou peço, existência, que poupe ao menos uma, pra que eu possa continuar mantendo em mim esse sonho de utopia. Não é pedir demais, existem mais de 6 bilhões de almas no mundo. Só essa, só essa vez, por favor. Só essa.
Algumas poucas vezes já cheguei a confessar a mim que havia mais motivos pra sorrir do que ser sério. Não ser sério de ser triste, ser sério de quem não gosta das condições atuais. Alguns desses motivos, hoje, são meus traumas. Alguns desses motivos, se há tempos me faziam continuar, hoje, me fazem retardar.
Continuo com a dúvida entre o crescimento e o congelamento. Se for crescer, parabéns, poeta, atingiste a idade adulta, tudo que você menos queria que fosse assim. Se for congelar, parabéns, humanidade, mais um que vocês tomam sem que o desgraçado se perceba.
Onde ficaram presas as crianças que haviam em mim? Estão perdidas, atormentas por essas ruas, estupradas e mortas as que não tiverem tanta sorte. Eu sou peço, existência, que poupe ao menos uma, pra que eu possa continuar mantendo em mim esse sonho de utopia. Não é pedir demais, existem mais de 6 bilhões de almas no mundo. Só essa, só essa vez, por favor. Só essa.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Agora, venho dizer que estou o mais perto do que já estive daquele que realiza a minha existência. Não, eu não estou em verdade na vida, eu sou loucura. Pela primeira vez em muito tempo, retorno algumas semelhanças com o que é de carne. E o que nos torna unidos, além dessas letras que sangram em busca de uma pequena atenção, é essa merda que eu chamo de sensibilidade. Foda-se quem não entender essa porra ou achar que eu estou falando de moda, o que tenho a dizer sobre isso é que tenho pena do teu ser tão limitado, e eu, ou nós, chegar a dizer que sinto pena, é porque teu estado deplorável às minhas vistas já consumiu completamente o meu horizonte. Enfim, quando eu conseguir retomar o pensamento que já nasceu perdido por trás de uma dança falha, poderia expressar bem mais do que já imaginei. Hoje, nesse segundo, eu já não sei o que faria surgir um parágrafo, imagina um sentido. Talvez a parcela que eu sei não ser esquizofrênica ache uma quantidade até significativa de nexo quando achar os fantasmas que me atormentam, aqueles que eu venho decifrando aos poucos por baixo do que escondo. Bastaria, pra isso acontecer, prender-se entre seis edros com suas piores metades. No meu caso, eu não o faço, não por escolha minha. Quando isso acontece, o nome que é dado é simples: pesadelo. Não necessariamente dormindo. Já não lembro qual foi o último dia que isso me aconteceu tão suavemente. Já faz tanto tempo... já faz tanto tempo que o decorrer dos meus dias se tornou um quebra musical de notas abertas e esparramadas ao chão. E como se isso não fosse completamente suficiente, mais um problema vem ao meu encontro: desconcentração.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Sou minha maior contradição.
Acredito que não é todo e qualquer momento de nossas vidas que merecem um título, uma exaltação a mais, senão do que a própria vida que, afinal, já é mais do que podemos entender. O estranho é ser algo tão comum e, ao mesmo tempo, ser algo que ninguém consegue explicar.
- O que é vida? - perguntou atentamente a criança.
- Tudo.
Era tudo que ele menos esperava como resposta, mas foi como se procedeu. Fiquei parado, olhando, como sói acontecer, sem, mais uma vez, entender. E daí o ritmo todo muda. Se tudo pulsava ao lado de lá, agora, tende ao lado de cá. Tende não, pende, pois sou torto. Sei que vós sois poucos, ou nenhum, mas é melhor acreditar que há um punhado tal que alimentar minha esquizofrenia.
- Mas o que é tudo?
- Nada.
E se tudo é oposto ao nada e os dois são a vida, o que é vida? Em síntese, pra mim, toda a gama que se compreende entre o sim e o não, entre o ser e o não-ser, o lembrar e o esquecer, estando incluso, ai, até as oposições lógicas pelo raciocínio humano. Mas e se não houvesse humanidade, querer saber o que é viver seria tão complicado assim? Não, bastaria viver. E acho, com uma fé inabalável, que eu deveria me por a fazer isso nesse segundo.
E vou.
- O que é vida? - perguntou atentamente a criança.
- Tudo.
Era tudo que ele menos esperava como resposta, mas foi como se procedeu. Fiquei parado, olhando, como sói acontecer, sem, mais uma vez, entender. E daí o ritmo todo muda. Se tudo pulsava ao lado de lá, agora, tende ao lado de cá. Tende não, pende, pois sou torto. Sei que vós sois poucos, ou nenhum, mas é melhor acreditar que há um punhado tal que alimentar minha esquizofrenia.
- Mas o que é tudo?
- Nada.
E se tudo é oposto ao nada e os dois são a vida, o que é vida? Em síntese, pra mim, toda a gama que se compreende entre o sim e o não, entre o ser e o não-ser, o lembrar e o esquecer, estando incluso, ai, até as oposições lógicas pelo raciocínio humano. Mas e se não houvesse humanidade, querer saber o que é viver seria tão complicado assim? Não, bastaria viver. E acho, com uma fé inabalável, que eu deveria me por a fazer isso nesse segundo.
E vou.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Eu nasci no tempo errado e esta condição me impõe um peso enorme dentro do peito. Rasga, fio por fio, tudo que alicerça meu coração, simplesmente, por não conseguir me adequar no ritmo de relacionamento desse novo mundo. Sou o meu próprio atraso.
Disso, nasceu uma loucura. Como uma tentativa de me nascer corretamente, pari uma insanidade revelada somente aos ouvidos de uma única pessoa e, em resumo, a resposta que ouvi foi: deixe de ser tão utópico.
Não é novidade, já ouvi incontáveis vezes o quanto a utopia é algo desejável e inatingível nas minhas aulas de História, já soube quantas pessoas deram a vida por uma ideia assim e morreram ou desistiram, por descobrirem que, realmente, é inalcansável. Mas eu sou teimoso e digam o que quiserem. Afinal, o que seria da loucura se não existissem os que a desafiam? Nada.
A ideia já está fecundada, por momento, esperará apenas sua hora de tomar forma e condições, até lá, serei alimento de mim mesmo e é.
Disso, nasceu uma loucura. Como uma tentativa de me nascer corretamente, pari uma insanidade revelada somente aos ouvidos de uma única pessoa e, em resumo, a resposta que ouvi foi: deixe de ser tão utópico.
Não é novidade, já ouvi incontáveis vezes o quanto a utopia é algo desejável e inatingível nas minhas aulas de História, já soube quantas pessoas deram a vida por uma ideia assim e morreram ou desistiram, por descobrirem que, realmente, é inalcansável. Mas eu sou teimoso e digam o que quiserem. Afinal, o que seria da loucura se não existissem os que a desafiam? Nada.
A ideia já está fecundada, por momento, esperará apenas sua hora de tomar forma e condições, até lá, serei alimento de mim mesmo e é.
domingo, 3 de outubro de 2010
Sobre votar, comemorar, patriar e enlouquecer.
Eu não gosto de escrever coisas diretas, que fique bem clara. Nunca gostei de chegar e dizer, na cara, um 'hoje eu fiz isso, e mais aquilo lá', sempre gosto de trazer ao passado, o máximo possível. Mensagem, pra mim, é carta. E antes que fiquem sem entender o que isso quer dizer com o título, digo: calma.
Não sei se é uma maneira que eu arranjei de me acalmar ou se é, de fato, uma introdução. Agora isso é o de menos.
Vamos ao nome: eu votei. Hoje, eu votei. Pela primeira vez e foi logo pra vários cargos. Pronto, taí a explicação do não saber acima. Enfim, fiquei feliz, extremamente orgulhoso. Exerci meu dever como cidadão e, ao término de tudo, minha vontade de sair da zona eleitoral foi imensa. Por que? Simples, fiquei tão contente que senti vontade de chorar. É, porra. Cho-rar. Riam os que quiserem, parem de ler por aqui os que não entendem, foda-se. EU-CHOREI-POR-TER-VOTADO. Culpa toda desse patriotismo louco que eu cultivo em mim. Amo o meu país, e o digo o quanto for necessário. De boa, essa paixão pela minha pátria se multiplica mais a cada dia. E eu não a pararei. A bradarei se necessário for, a tatuarei por desejo e passarei pras minhas expansões quando for possível. Eu sou brasileiro.
A continuidade do nome: não, eu não estou comemorando porra nenhuma. Esta merda não estaria ai se não fosse por um candidato, creio eu, agora, eleito, que passou na frente da minha casa, às 23 horas de um domingo, pra comemorar (?) a vitória. Pra completar, acho que o quarteirão é pequeno demais, então, às 23:06, vem a.. a.. trilha desgraçada que suja a rua toda com as merdas de panfletos, fazendo barulho e desnecessariedades. Não sou o maior entendedor de política do Brasil, bem longe disso. Mas esse homem ainda nem recebeu o cargo e já tem duas infrações. Imaginem, anseios, imaginem, o que virá depois. Se o exemplo é ruim, a performance não poderá ser consagrada com nada honrável.
O terceiro: é loucura. Apenas isso. Já disse várias vezes que não tenho ritmo nem controle no que sinto, por outras palavras. Eu não coordeno o que tá sendo escrito aqui, nada. É tudo impulso de ódio, basicamente. Por isso mais um tema novamente descrito. Mas não há males. Amo o meu país, vou dizer isso o quanto for necessário, usando da minha maneira bem contraditória de revelar. Talvez seja só monólogo ou nem isso. Devo é terminar por aqui.
O número quarto é a descrição do subtópico do terceiro. E o texto tá grande demais. Não sei se alguém chega a ler essa merda, não sei mesmo. E, se lê, não sei o que tá pensando de mim. Só mais uma coisa: esse tá longo, 70% das pessoas não terão paciência pra chegar até aqui. Se tu teves, obrigado. Muitíssimo. És uma peça rara dessa população que se limita a ler títulos e histórias de vampiros vegetarianos. É sério. E se tu estiver a ler essa frase, peço, avisa-me, de qualquer maneira, por favor, eu saberei.
por hora, é torpência demais.
Não sei se é uma maneira que eu arranjei de me acalmar ou se é, de fato, uma introdução. Agora isso é o de menos.
Vamos ao nome: eu votei. Hoje, eu votei. Pela primeira vez e foi logo pra vários cargos. Pronto, taí a explicação do não saber acima. Enfim, fiquei feliz, extremamente orgulhoso. Exerci meu dever como cidadão e, ao término de tudo, minha vontade de sair da zona eleitoral foi imensa. Por que? Simples, fiquei tão contente que senti vontade de chorar. É, porra. Cho-rar. Riam os que quiserem, parem de ler por aqui os que não entendem, foda-se. EU-CHOREI-POR-TER-VOTADO. Culpa toda desse patriotismo louco que eu cultivo em mim. Amo o meu país, e o digo o quanto for necessário. De boa, essa paixão pela minha pátria se multiplica mais a cada dia. E eu não a pararei. A bradarei se necessário for, a tatuarei por desejo e passarei pras minhas expansões quando for possível. Eu sou brasileiro.
A continuidade do nome: não, eu não estou comemorando porra nenhuma. Esta merda não estaria ai se não fosse por um candidato, creio eu, agora, eleito, que passou na frente da minha casa, às 23 horas de um domingo, pra comemorar (?) a vitória. Pra completar, acho que o quarteirão é pequeno demais, então, às 23:06, vem a.. a.. trilha desgraçada que suja a rua toda com as merdas de panfletos, fazendo barulho e desnecessariedades. Não sou o maior entendedor de política do Brasil, bem longe disso. Mas esse homem ainda nem recebeu o cargo e já tem duas infrações. Imaginem, anseios, imaginem, o que virá depois. Se o exemplo é ruim, a performance não poderá ser consagrada com nada honrável.
O terceiro: é loucura. Apenas isso. Já disse várias vezes que não tenho ritmo nem controle no que sinto, por outras palavras. Eu não coordeno o que tá sendo escrito aqui, nada. É tudo impulso de ódio, basicamente. Por isso mais um tema novamente descrito. Mas não há males. Amo o meu país, vou dizer isso o quanto for necessário, usando da minha maneira bem contraditória de revelar. Talvez seja só monólogo ou nem isso. Devo é terminar por aqui.
O número quarto é a descrição do subtópico do terceiro. E o texto tá grande demais. Não sei se alguém chega a ler essa merda, não sei mesmo. E, se lê, não sei o que tá pensando de mim. Só mais uma coisa: esse tá longo, 70% das pessoas não terão paciência pra chegar até aqui. Se tu teves, obrigado. Muitíssimo. És uma peça rara dessa população que se limita a ler títulos e histórias de vampiros vegetarianos. É sério. E se tu estiver a ler essa frase, peço, avisa-me, de qualquer maneira, por favor, eu saberei.
por hora, é torpência demais.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Entre outras mil, és tu, Brasil.
Tenho pena do meu país por estar afundado tão catastroficamente em algo que deveria ser o futuro. Não posso me postar feliz ou orgulhoso se comediantes, jogadores de futebol, cantores e afins se canditam, e são eleitos, como se fosse algo normal. Sinceramente, o simples fato de um deputado, vereador ou sei lá qual merda fazer sua propaganda baseando-se em promessas já é absurdo. NÃO É PROMESSA, FILHO DA PUTA, É A PORRA DO TEU DEVER. Consta naquela piada que vocês chamam de constituição. É o mesmo que um jogador dizer que vai fazer gol. É A PORRA DO TRABALHO ELE, ELE RECEBE PRA ISSO.
'Apesar de você, amanhã há de ser outro dia.'
Embora eu não queira abrir mão da minha pátria, é impossível não sentir vergonha. Se metade do dinheiro sujo que é usado na sujeira da cidade, digo, propaganda eleitoral, fosse usado em investimentos úteis, tenho certeza que essa merda andava pra frente. E o problema não é só esse. Procuro, por todos os lados, alguém que eu goste pra colocar no controle do meu futuro. Frustrante é não achar. A ficha limpa é uma tentativa falha de conter o desdesenvolvimento. Uma ótima ideia atrapalhada por pertubadas mentes.
Essa doença ainda tem muito pra crescer e sinto uma dor em pensar que meus filhos e meus netos ainda receberão a nacionalidade de um país tão lindo, com tanto céu e estrelas, com o Redentor, não que eu acredite, de braços abertos, não acho que haja fé, mas que é belo, é, imerso em tanta pobreza de caráter e social, com um câncer exposto e multiplicando-se como quer em todas as esquinas.
Eu grito minha revolta, meu ódio e sangro minha loucura alicerçada em contradições, mas sei que não adianta se a mentalidade dos que deveriam lograr resultados é o atraso de todos nós. O que me resta é ruir.
'Apesar de você, amanhã há de ser outro dia.'
Embora eu não queira abrir mão da minha pátria, é impossível não sentir vergonha. Se metade do dinheiro sujo que é usado na sujeira da cidade, digo, propaganda eleitoral, fosse usado em investimentos úteis, tenho certeza que essa merda andava pra frente. E o problema não é só esse. Procuro, por todos os lados, alguém que eu goste pra colocar no controle do meu futuro. Frustrante é não achar. A ficha limpa é uma tentativa falha de conter o desdesenvolvimento. Uma ótima ideia atrapalhada por pertubadas mentes.
Essa doença ainda tem muito pra crescer e sinto uma dor em pensar que meus filhos e meus netos ainda receberão a nacionalidade de um país tão lindo, com tanto céu e estrelas, com o Redentor, não que eu acredite, de braços abertos, não acho que haja fé, mas que é belo, é, imerso em tanta pobreza de caráter e social, com um câncer exposto e multiplicando-se como quer em todas as esquinas.
Eu grito minha revolta, meu ódio e sangro minha loucura alicerçada em contradições, mas sei que não adianta se a mentalidade dos que deveriam lograr resultados é o atraso de todos nós. O que me resta é ruir.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
ainda por terminar, ainda por sentir, ainda por sofrer, ainda por inspirar e ainda por enlouquecer.
Tenho inveja das vidas sortudas que puderam realizar um sonho tão antigo quando a percepção em si: a Lua. Meu (religião inexistente), mas que satélite belo.
Se me coubesse uma chance de escolha, caso fosse-me oferecido uma oportunidade de visitar qualquer apêndice planetário do sistema solar, ficaria em dúvida entre duas: Europa e a própria.
Vontade número um: a Lua tem uma característica específica na frente das outras desse nosso sistema. Seu tamanho é relativamente grande, em comparação ao seu planeta de órbita. Isso faz com que ela regule marés, sem falar na sustentabilidade de sonhos. Inspira sofredores, como que vos fala, que nunca poderão conhecê-la de perto. Mas como eu queria uma única dança naquela poeira. Resumo.
Vontade número dois: Europa é uma das luas de Júpiter, possui, provavelmente, água em seu interior e tem uma remota capacidade de sustentar a vida dentro de si. Não é a maior nem a menor, mas é a segunda mais chamativa e, na minha concepção, a mais bela dentre todas.
Agora, deixando um pouco o lado astronauta de lado e puxando pra perto a parte sonhonauta, confesso, mais uma vez, como me seria aproveitado uma viagem dessas. E como seria uma loucura extrema poder realizá-la. Não me importa a solidão da ida e da volta, já que trago entre os dedos uma recordação tão impactante quanto a vontade, não é exatamente o que eu queria, mas o bastante pra me contentar.
Em terceiro lugar, mas não sendo vontade, pergunto-me qual o motivo dessa confissão. A Lua é algo tão além do meu alcance, que jogar minhas mãos, palavras ou promessas não adiantará nada. Continuará, como sempre foi e sempre será, um sonho distante. Milhares de quilômetros distante. De Europa, nem falo, nem almejo. Só anseio algum devaneio louco que me leve o mais perto possível. Tanto pela junção da quimera, quanto pela necessidade de sumiço.
-
sem nada: de boa? já nem sei mais do que falo. me perdi e me parti.
Se me coubesse uma chance de escolha, caso fosse-me oferecido uma oportunidade de visitar qualquer apêndice planetário do sistema solar, ficaria em dúvida entre duas: Europa e a própria.
Vontade número um: a Lua tem uma característica específica na frente das outras desse nosso sistema. Seu tamanho é relativamente grande, em comparação ao seu planeta de órbita. Isso faz com que ela regule marés, sem falar na sustentabilidade de sonhos. Inspira sofredores, como que vos fala, que nunca poderão conhecê-la de perto. Mas como eu queria uma única dança naquela poeira. Resumo.
Vontade número dois: Europa é uma das luas de Júpiter, possui, provavelmente, água em seu interior e tem uma remota capacidade de sustentar a vida dentro de si. Não é a maior nem a menor, mas é a segunda mais chamativa e, na minha concepção, a mais bela dentre todas.
Agora, deixando um pouco o lado astronauta de lado e puxando pra perto a parte sonhonauta, confesso, mais uma vez, como me seria aproveitado uma viagem dessas. E como seria uma loucura extrema poder realizá-la. Não me importa a solidão da ida e da volta, já que trago entre os dedos uma recordação tão impactante quanto a vontade, não é exatamente o que eu queria, mas o bastante pra me contentar.
Em terceiro lugar, mas não sendo vontade, pergunto-me qual o motivo dessa confissão. A Lua é algo tão além do meu alcance, que jogar minhas mãos, palavras ou promessas não adiantará nada. Continuará, como sempre foi e sempre será, um sonho distante. Milhares de quilômetros distante. De Europa, nem falo, nem almejo. Só anseio algum devaneio louco que me leve o mais perto possível. Tanto pela junção da quimera, quanto pela necessidade de sumiço.
-
sem nada: de boa? já nem sei mais do que falo. me perdi e me parti.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Por vezes, penso se o que penso ser sólido é realmente sólido. E se tudo for uma peça da minha mente? Os calores, os sorrisos, as dificuldades, as palavras que digo agora e toda uma gama de exemplos poderiam ser, simplesmente, nada. Eu poderia ser nada.
O Universo é uma existência tão vasta que a minha rápida passagem no que chamam de vida me parece mais um sonho de um ser bem maior do que algo que eu classifique como verossímil. Não é uma porrada na cara, um salto de um penhasco sem um garda-chuva pra amparar a queda. É uma verdade calma, escondida na pele, abaixo dos pelos arrepiados. E cá fico, sob um céu estrelado de astros que tanto anseio ver e não posso, nunca poderei. É isso que é realidade?
Após França, biologia, violões, cortes, areia e oceanos, o que sobra? Nada. Depois que o último humano for dizimado, toda uma herança será perdida no tempo, até que o espaço chegue em sua fase escura e assim permaneça pra sempre. Estagnado, sem ninguem pra ver ou sentir. O que é realidade?
- É a capacidade de correr contra o tempo, de fazer obras fadadas ao esquecimento e dizer que tudo isso é importante aos caráteres.
O pior é que nós acreditamos, e eu também. Acredito que haja um sentido, mesmo que uma mísera parte de mim grite, abafado pelas mãos que tentam desesperadamente puxar alguma parte do divino pra baixo. Mas o divino também se esconde, e faz com que os ditos representantes enganem milhões com suas falsas promessas de paraísos. A Nirvana pregada é uma mentira. A vida não passa de uma busca incansável de verdades, as quais nunca conseguiremos as reais respostas. E mesmo que conseguíssemos, de que bastaria? Saber resolver uma questão não serve de nada se eu não achar uma necessidade pra desfrutar tal conhecimento.
Acho que uma intensa metade de mim está se afundando cada vez dentro dela própria. Eu gostaria tanto que Graham Bell fizesse sua parte agora, ouvir um suspiro amável, um lembrete de que eu não estou só e que minha imaginação não poderia imaginar nada tão perfeito assim, a única fonte que me faz esclarecer as ideias, ficar realmente em dúvida se é existencial ou não. Um copo pela metade é meio cheio e meio vazio. Então, uma dúvida se é verdade é também uma dúvida se é mentira.
Eu só queria estar ali.
O Universo é uma existência tão vasta que a minha rápida passagem no que chamam de vida me parece mais um sonho de um ser bem maior do que algo que eu classifique como verossímil. Não é uma porrada na cara, um salto de um penhasco sem um garda-chuva pra amparar a queda. É uma verdade calma, escondida na pele, abaixo dos pelos arrepiados. E cá fico, sob um céu estrelado de astros que tanto anseio ver e não posso, nunca poderei. É isso que é realidade?
Após França, biologia, violões, cortes, areia e oceanos, o que sobra? Nada. Depois que o último humano for dizimado, toda uma herança será perdida no tempo, até que o espaço chegue em sua fase escura e assim permaneça pra sempre. Estagnado, sem ninguem pra ver ou sentir. O que é realidade?
- É a capacidade de correr contra o tempo, de fazer obras fadadas ao esquecimento e dizer que tudo isso é importante aos caráteres.
O pior é que nós acreditamos, e eu também. Acredito que haja um sentido, mesmo que uma mísera parte de mim grite, abafado pelas mãos que tentam desesperadamente puxar alguma parte do divino pra baixo. Mas o divino também se esconde, e faz com que os ditos representantes enganem milhões com suas falsas promessas de paraísos. A Nirvana pregada é uma mentira. A vida não passa de uma busca incansável de verdades, as quais nunca conseguiremos as reais respostas. E mesmo que conseguíssemos, de que bastaria? Saber resolver uma questão não serve de nada se eu não achar uma necessidade pra desfrutar tal conhecimento.
Acho que uma intensa metade de mim está se afundando cada vez dentro dela própria. Eu gostaria tanto que Graham Bell fizesse sua parte agora, ouvir um suspiro amável, um lembrete de que eu não estou só e que minha imaginação não poderia imaginar nada tão perfeito assim, a única fonte que me faz esclarecer as ideias, ficar realmente em dúvida se é existencial ou não. Um copo pela metade é meio cheio e meio vazio. Então, uma dúvida se é verdade é também uma dúvida se é mentira.
Eu só queria estar ali.
sábado, 18 de setembro de 2010
Qualquer coisa entre a pena e uma necessidade.
Por começo, uma pergunta. Brasileiro - não convém naturalidade - ou alguma outra? Então, já que nem tua base no Tupi deves ter alguma noção, digo-lhe que não há naturalidade nenhuma em teu 'regular'. Muito pelo contrário. São apenas gritos vagos, pois não há nenhum outro motivo. O desespero alegado é uma farsa, escondida por trás de dinheiro e conforto. Acho que o verde que vi, três ou quatro vezes, em meio a tantas palavras, é um aviso inconsciente de ti pra ti, você já sabe qual o erro básico do teu alicerce.
Por continuidade, digo-lhe, repetidamente por uma única frase: um pro outro. Uma doença completando uma ausência. Assim como um retardo consuma uma atitude infantil num corpo, tecnicamente, adulto. Aqueles terremotos, os que tu achas sentir em vistas, não são loucuras, são sentidos bons demais. Apesar de todo o desgosto pelos atos, reconheço que um pouco do que há é mim é comum de nós. Mas não consideres isso no par, vos peço. Ao menos do teu (insentido) menos, nada quero. Nem repartir o ar do mesmo ambiente, já que se eu puder ter repúdio a algo podre, esse é o máximo que eu posso atingir, e o máximo amplamente sendo decomposto em solo fértil é o gosto que te toca os lábios. Pergunto-me qual deve ser a sensação de ter o sabor de uma inconsequência em si.
Por término, uma risada.
Por continuidade, digo-lhe, repetidamente por uma única frase: um pro outro. Uma doença completando uma ausência. Assim como um retardo consuma uma atitude infantil num corpo, tecnicamente, adulto. Aqueles terremotos, os que tu achas sentir em vistas, não são loucuras, são sentidos bons demais. Apesar de todo o desgosto pelos atos, reconheço que um pouco do que há é mim é comum de nós. Mas não consideres isso no par, vos peço. Ao menos do teu (insentido) menos, nada quero. Nem repartir o ar do mesmo ambiente, já que se eu puder ter repúdio a algo podre, esse é o máximo que eu posso atingir, e o máximo amplamente sendo decomposto em solo fértil é o gosto que te toca os lábios. Pergunto-me qual deve ser a sensação de ter o sabor de uma inconsequência em si.
Por término, uma risada.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
As pessoas sempre vão embora, percebi isso hoje. Nem sempre por uma morte, às vezes, simplesmente, por se mudarem. Apenas isso, seco. Com o seguimento desse pensamento, desconfiei o motivo d'eu embolar tanto minhas falas: pensamentos demais. Penso mais do que minha boca pode assimilar. É certo que um punhado de timidez adiciona um teor um tanto mais ácido nessa trava, mas, na base, é esse o único motivo. E essas duas descobertas estavam tão à minha frente que eu nunca percebi, ou nunca quis. Era tão sutilmente visível quanto um tapa na cara. Desse descobrimento, logo atrelo mais uma lembrança. Recente lembrança, ainda quente por algumas saudades diárias, daquelas que nem eu mesmo desconfiava sentir. O resultado disso tudo é a única frase que tenho na mente agora: eram tantas vozes juntas que eu não ouvia ninguém. Talvez não há muito nexo pra quem vê de longe, mas não o faço pra ser completamente entendido, simplesmente tenho essa necessidade.
Eu não queria que tantas pessoas fossem embora, sou muito infeliz quanto à saudade. Não sei lidar. É mais um fracasso meu. Posso não demonstrar fisicamente, mas o sinto e isso me corrói. Amargamente, corrói. Por isso tenho uma pequena vontade de jogar meus braços ao longe, dá-los às lâminas proibidas por uma promessa. Era uma tentativa desesperada de retirar um pouco a pressão do meu sangue, nem sempre as palavras foram as melhores válvulas de escape. Mas não quer dizer também que funcione todas as vezes.
E pra que não entende tal desespero, procure manter-se distante da resposta. Quando se ouve um som melhor que o último, o vício aumenta, principalmente quando a melhor batida que já se tem ouvido na vida tenha sido um coração correr acelerado. E eles sempre correm, principalmente quando há muita saudade ou uma descoberta brutal, coisa que me ocorreram hoje cedo. Daí o ciclo, o vício do ciclo. O mesmo vício que acima escrevi, o mesmo desespero acima escrito, o mesmo tudo. É tudo ironia e a ironia é tudo. E eu detesto essa porra de ironia, porque ela insiste em nos mostrar o quanto ela é poderosa. Mas que se foda esse destino filho da puta, já tenho impaciência demais em mim pra ficar me descobrindo ainda mais. Se já não sei interagir com meus pensamentos, sei menos ainda domar meus sentimentos.
Eu não queria que tantas pessoas fossem embora, sou muito infeliz quanto à saudade. Não sei lidar. É mais um fracasso meu. Posso não demonstrar fisicamente, mas o sinto e isso me corrói. Amargamente, corrói. Por isso tenho uma pequena vontade de jogar meus braços ao longe, dá-los às lâminas proibidas por uma promessa. Era uma tentativa desesperada de retirar um pouco a pressão do meu sangue, nem sempre as palavras foram as melhores válvulas de escape. Mas não quer dizer também que funcione todas as vezes.
E pra que não entende tal desespero, procure manter-se distante da resposta. Quando se ouve um som melhor que o último, o vício aumenta, principalmente quando a melhor batida que já se tem ouvido na vida tenha sido um coração correr acelerado. E eles sempre correm, principalmente quando há muita saudade ou uma descoberta brutal, coisa que me ocorreram hoje cedo. Daí o ciclo, o vício do ciclo. O mesmo vício que acima escrevi, o mesmo desespero acima escrito, o mesmo tudo. É tudo ironia e a ironia é tudo. E eu detesto essa porra de ironia, porque ela insiste em nos mostrar o quanto ela é poderosa. Mas que se foda esse destino filho da puta, já tenho impaciência demais em mim pra ficar me descobrindo ainda mais. Se já não sei interagir com meus pensamentos, sei menos ainda domar meus sentimentos.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Quando o poderoso se faz de vítima.
Ali vinham dois aviões e, certamente, os que puderam ver antes do segundo que os chocaria pra sempre, perguntaram-se o que o primeiro faria ali, tão baixo. Não se perguntaram sobre o segundo, pois já havia tudo se esclarecido quando este se acometeu da ordem. E lá se manteu, um povo todo a se lamentar e enraivar-se por 102 minutos, até que, uma hora, a ficha, assim como os edifícios, caísse. E se portassem como pobre-coitados.
Nojo.
Quero ver os que eles tem a falar sobre Nagasaki e Hiroshima, dos milhões que nada tinham a ver com a guerra e morreram no mesmo segundo, ou dos incontáveis que até hoje sofrem as consequências pela radiação que ficou impregnada naquele ar. Quando a bomba explodiu, nos testes no oceano, a temperatura foi tão alta nos primeiros instantes que a areia das ilhas próximas virou vidro. Sem falar nas ilhas que desapareceram. E hoje reclamam, dizendo que foi injustiça. Terrorismo se paga com terrorismo, não importa o vetor. Hamurabi que o fale.
Reclama, filho da puta, enfia essa tentação toda dentro do teu peito e alega ao mundo todo o quanto tu sofre. Agora para pra pensar nas toneladas e toneladas de petróleo que vocês utilizam e de todo o resto poluente que sai desse país podre. A simples forma de vida estadosunidense de viver já é um atentado terrorista.
E pra quem não entendeu o motivo de ser vago, feche os olhos. Não perderei meu tempo explicando tão explícido desprezo.
Nojo.
Quero ver os que eles tem a falar sobre Nagasaki e Hiroshima, dos milhões que nada tinham a ver com a guerra e morreram no mesmo segundo, ou dos incontáveis que até hoje sofrem as consequências pela radiação que ficou impregnada naquele ar. Quando a bomba explodiu, nos testes no oceano, a temperatura foi tão alta nos primeiros instantes que a areia das ilhas próximas virou vidro. Sem falar nas ilhas que desapareceram. E hoje reclamam, dizendo que foi injustiça. Terrorismo se paga com terrorismo, não importa o vetor. Hamurabi que o fale.
Reclama, filho da puta, enfia essa tentação toda dentro do teu peito e alega ao mundo todo o quanto tu sofre. Agora para pra pensar nas toneladas e toneladas de petróleo que vocês utilizam e de todo o resto poluente que sai desse país podre. A simples forma de vida estadosunidense de viver já é um atentado terrorista.
E pra quem não entendeu o motivo de ser vago, feche os olhos. Não perderei meu tempo explicando tão explícido desprezo.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Silêncio.
Pois grito, e o grito forte. Não há mais frequência audível, apenas a traquéia que se esforça pra conseguir te chamar. E não chama. Daí vem a frustração. E que merda de frustração.
Queria ter pregos pra grudar melhor as fotografias desbotadas, acho que os adesivos da minha mente já estão começando a perder sua cola, precisam ser renovados. Mas a renovação me dói. Ah, como me dói. Se eu não te levar na memória, um dia esquecer-te, tenha certeza que no esquecimento também te carrego. Sempre estarás aqui. Embora teu plano seja outro.
Não pude te dizer adeus.
Eu não pude te dizer adeus.
Eu não te disse adeus.
Você não completou sua promessa, irmão.
E eu não lhe disse adeus.
Você morreu.
E eu não dei adeus.
Morreu, e eu não disse adeus.
- Vai, responde, não é tu que é o fodão? Responde, vai. Quanto é? Diz. Dois mais dois, puto, dois mais dois.
Saudade de merda de alguém que não deveria ter sido levado do mundo. Injustiça filha da puta! Espero que a loucura te consuma na mais intensa dor do inferno.
Morreu, e eu não disse adeus.
Queria ter pregos pra grudar melhor as fotografias desbotadas, acho que os adesivos da minha mente já estão começando a perder sua cola, precisam ser renovados. Mas a renovação me dói. Ah, como me dói. Se eu não te levar na memória, um dia esquecer-te, tenha certeza que no esquecimento também te carrego. Sempre estarás aqui. Embora teu plano seja outro.
Não pude te dizer adeus.
Eu não pude te dizer adeus.
Eu não te disse adeus.
Você não completou sua promessa, irmão.
E eu não lhe disse adeus.
Você morreu.
E eu não dei adeus.
Morreu, e eu não disse adeus.
- Vai, responde, não é tu que é o fodão? Responde, vai. Quanto é? Diz. Dois mais dois, puto, dois mais dois.
Saudade de merda de alguém que não deveria ter sido levado do mundo. Injustiça filha da puta! Espero que a loucura te consuma na mais intensa dor do inferno.
Morreu, e eu não disse adeus.
Apresentação.
Há uma personagem em mim. Vitoria, seu nome. Mas não vos deixem enganar-se, sobre vencer, nessa pequena criatura, existe apenas o nome, já que até seu nascimento foi um acidente. E ela vive louca e animalmente no critério dessa cidade, uma insolente sem nome e uma indigente apenas conhecida por ser da minha mente. Sequer tem uma idade. É a síntese de crítica e olhos da felicidade. Negra e abandonada, desamada por ser inexistente, mesmo na esquizofrenia geral. Não clama nem sente a necessidade de atenção, já que nunca a teve. Derrama-se pelos canteiros dessas ruas por ai, essas que ninguém passa, que ninguém nem sabe o nome, e tenta dormir, submete-se ao frio, mesmo nessa cidade quente. Em ti, há o lençol à noite pra que tu possa abrir a boca e dizer que está quente, mas, nela, há, apenas, uma camada de escárnio, sujeira e papelão pra ser sua cama.
É a força que me faz olhar e perceber além.
É-me.
É a força que me faz olhar e perceber além.
É-me.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Embora eu tenha algo inicialmente independente quanto às decisões, existe uma parte em mim que se afunda, mais e mais, na inercia de muitos pensamentos meus. Pensamentos que, depois do início, dificilmente acham um local que os faz parar. Deles nasce um ego. Do ego nasce toda uma consciência separada de mim, torna-se uma personalidade. Não, olhos, não sou bipolar, sou além. Sou polipolar, não posso, sequer, deixar um sentimento muito forte vir à tona. Caso isso aconteça, espero que os que estejam ao redor estejam preparados pra conhecer um amigo novo. Seu nome, seu credo, sua classe e suas ideias diferenciam-se das minhas. Depois da introdução, vos apresento:
- Vivência, este é Saudade. Saudade, esta é a Realidade.
Permitam-me, pois necessito um pequeno orifício nessa mão para que tudo escape. Quando eu conseguir trazer à tona - nunca - tudo que tanto me mata por não conseguir sair, hão de compreender os motivos por uma parte dessa alma maior ser um tanto atormentada por uns fantasmas, ou outros. O nome disso é incompreensão. Ainda não lhe entra na mente a ideia de um fim ter sido realizado no início. Ter que imaginar uma mãe a segurar um filho em coma e saber que sua morte se deu no mesmo dia do seu nascimento é uma consequência que, até hoje, atormentam seus olhos. Não é, simplesmente, comemorar um aniversário e outro aniversário, é comemorar os dois. No dia da felicidade nostalgica, também dividir o coração numa ligeira depressão. Não ter um momento entre-datas para respirar é inaceitável, por isso o maior fica a imaginar se há, realmente, um deus. E se ele existe, onde está a justiça tão superior que ele alega. O infeliz que foi roubado da existência tinha sonhos, e sonhos belos, de mudanças radicais na sociedade, mas não pode nem contemplar o gosto de ter-se de volta nos iguais. Não. Apenas, não.
E em um local está uma família um tanto desamparada, que terá que ressuscitar um pouco desta angústia ano após ano, isso se não conviverem na mesma casa onde moram os aromas e a infância vilha, e em outro local, há uma alma desamparada que não sabe para onde ir.
É tão humano ver o lado mais errado de todos, pena que eu não o sou nem nunca o serei.
Exatamente por isso estou aqui, posto a observar e maltratar os que me deixarem entrar em casa e os explicarei. Se estou aqui, tenha certeza que logo após teus olhos terminarem esta sentença, estarei ao teu lado por alguém.
- Vivência, este é Saudade. Saudade, esta é a Realidade.
Permitam-me, pois necessito um pequeno orifício nessa mão para que tudo escape. Quando eu conseguir trazer à tona - nunca - tudo que tanto me mata por não conseguir sair, hão de compreender os motivos por uma parte dessa alma maior ser um tanto atormentada por uns fantasmas, ou outros. O nome disso é incompreensão. Ainda não lhe entra na mente a ideia de um fim ter sido realizado no início. Ter que imaginar uma mãe a segurar um filho em coma e saber que sua morte se deu no mesmo dia do seu nascimento é uma consequência que, até hoje, atormentam seus olhos. Não é, simplesmente, comemorar um aniversário e outro aniversário, é comemorar os dois. No dia da felicidade nostalgica, também dividir o coração numa ligeira depressão. Não ter um momento entre-datas para respirar é inaceitável, por isso o maior fica a imaginar se há, realmente, um deus. E se ele existe, onde está a justiça tão superior que ele alega. O infeliz que foi roubado da existência tinha sonhos, e sonhos belos, de mudanças radicais na sociedade, mas não pode nem contemplar o gosto de ter-se de volta nos iguais. Não. Apenas, não.
E em um local está uma família um tanto desamparada, que terá que ressuscitar um pouco desta angústia ano após ano, isso se não conviverem na mesma casa onde moram os aromas e a infância vilha, e em outro local, há uma alma desamparada que não sabe para onde ir.
É tão humano ver o lado mais errado de todos, pena que eu não o sou nem nunca o serei.
Exatamente por isso estou aqui, posto a observar e maltratar os que me deixarem entrar em casa e os explicarei. Se estou aqui, tenha certeza que logo após teus olhos terminarem esta sentença, estarei ao teu lado por alguém.
domingo, 5 de setembro de 2010
Pessoas de qualquer sorte têm uma atitude que me enoja: reclamar do que possuem. Muitas delas têm uma vida digna de agradecimento aos pais, mas, ao contrário disso, os devolvem um certo desprezo por uma vez ou outra não ganharem o que querem.
- Vai andar num ônibus sujo de manhã cedo, pra trabalhar, receber teu dinheiro e no final do mês não sobrar nada pra se divertir, gastar tudo com contas acumuladas, conviver com uma desigualdade que invade tua porta todo dia, sem ter hora pra chegar ou sair, seu filho da puta, depois tu pode abrir a boca pra falar qualquer merda. Você não é o dedo que prende o cu.
Reclamar é fácil, queria ver se fosse a hora de fazer por onde. Sou meio suspeito, também reclado de muito do que não tenho. Mas eu não tiro da cabeça que enquanto digito sobre isso nesse computador, na minha própria casa, no conforto que me foi dado, milhões perecem por estar com fome, sede ou, simplesemente, doentes. E outro milhões a reclamar por não poder comprar um vestido, ou um carro, sei lá.
A humanidade é surpreendente.
- Vai andar num ônibus sujo de manhã cedo, pra trabalhar, receber teu dinheiro e no final do mês não sobrar nada pra se divertir, gastar tudo com contas acumuladas, conviver com uma desigualdade que invade tua porta todo dia, sem ter hora pra chegar ou sair, seu filho da puta, depois tu pode abrir a boca pra falar qualquer merda. Você não é o dedo que prende o cu.
Reclamar é fácil, queria ver se fosse a hora de fazer por onde. Sou meio suspeito, também reclado de muito do que não tenho. Mas eu não tiro da cabeça que enquanto digito sobre isso nesse computador, na minha própria casa, no conforto que me foi dado, milhões perecem por estar com fome, sede ou, simplesemente, doentes. E outro milhões a reclamar por não poder comprar um vestido, ou um carro, sei lá.
A humanidade é surpreendente.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
O radical de humanidade e humilhação é o mesmo.
Já não sei mais discernir onde está a humilhação: se é em quem pede dinheiro ou se está nos olhos que afastam a vista. A um primeiro pensar bem superficial, estar à mercer dos outros, depender da boa vontade de umas poucas moedas de lhe aparecer, é algo bem pior e agressivo. Mas, aos que poucos que criticam na primeira chance, também seria horrível transformar a mão num punho sem deixar nada sair, simplesmente, por ter medo do indigente. Eu não disse como era a humilhação.
A diferença é o vetor, pra um é humilhação própria, ao outro, social. Desse outro, uma breve explanação: não saber se o alvo é sua decisão ou seu forçamento. Viver a se esconder, mesmo em local público, é humilhante. Vergosonho, seria a palavra certa, mas não caberia na igualdade. E a culpa é, mais uma vez, dessa humanidade que governa utilizando-se de uma ironia imensa.
- Ironia, ó, ironia, vejo que és tu mais uma vez quem me atormentas.
O problema é que a situação descrita acima não é complicada de acontecer. Qualquer viagem num mero ônibus está sujeita à presenciá-la.
Não é coincidência essas duas palavras começarem do mesmo jeito, já que hoje em dia é quase o mesmo significado. Só espero mesmo é estar vivo quando humanidade tiver o mesmo radical que uma palavra conjugada da outra - e completamente diferente.
Humildade.
A diferença é o vetor, pra um é humilhação própria, ao outro, social. Desse outro, uma breve explanação: não saber se o alvo é sua decisão ou seu forçamento. Viver a se esconder, mesmo em local público, é humilhante. Vergosonho, seria a palavra certa, mas não caberia na igualdade. E a culpa é, mais uma vez, dessa humanidade que governa utilizando-se de uma ironia imensa.
- Ironia, ó, ironia, vejo que és tu mais uma vez quem me atormentas.
O problema é que a situação descrita acima não é complicada de acontecer. Qualquer viagem num mero ônibus está sujeita à presenciá-la.
Não é coincidência essas duas palavras começarem do mesmo jeito, já que hoje em dia é quase o mesmo significado. Só espero mesmo é estar vivo quando humanidade tiver o mesmo radical que uma palavra conjugada da outra - e completamente diferente.
Humildade.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
http://ultimosegundo.ig.com.br/eleicoes/eleicao+de+governador+e+presidente+preve+gasto+de+quase+r+2+bi/n1237707236902.html
Passa-se a porra de anos completos sem se falar em política, sem nem tocar no assunto e nos anos de eleições, subitamente, aparecem milhares de fanfarrões querendo empurrar 'lições' pra todos os lados. Todos com sorrisos estampados na cara - suja, diga-se de passagem -, jingles feitos pra fazer a velha lavagem cerebral e informações pela metade, achando que vão enganar muita gente. O pior é que enganam. E que me perdoe o erudismo, mas são todos uns filhos da puta. Megalomaníacos de primeira viagem, egocêntricos e ganânciosos. Milhões de reais pra promover a merda de uma canditara. PORRA, para e pensa, caralho. Se vocês parassem pra pensar ao menos uma vez nessa merda de mandato, notariam que se pegassem um terço do dinheiro que é gasto só com propaganda, a mesma que suja a cidade E NINGUÉM LIMPA DEPOIS, a porra desse país iria pra frente. EDUCAÇÃO, porra. Nem pra ganância vocês olham direito. Seria investimento a longo prazo, eu sei que não teria tanta repercussão, mas os lucros pra vocês aumentariam, do mesmo jeito. Com mais gente estudando, mais profissionais seriam formados, mais empregos de maiores importância, logo, mais dinheiro. Mas nem usando o consumismo pro melhor de todos... Só um minuto, às vezes me perco no meio de tanto ódio.
- Peço que respirem 87 segundos.
O dinheiro usado em propagandas e besteiras do mesmo nível nessas eleições, no Ceará, é um dos maiores do Brasil. Com metade desses milhões, os investimentos em educação, saúde, moradia, putamerda, iriam alavancar o desenvolvimento da porra desse estado. Mas não, eles estão mais preocupados em esconder a verdade.
Não posso reclamar calado, como faço agora nem posso, também, generalizar. Sei que há alguém fazendo justiça no Senado, alguns poucos, se fodendo e escondido atrás de trocentos outros que metem a mão no dinheiro suado e sujo de sangue que meus pais recebem no final do mês e me sinto feliz por essa ponta de razão. Apoio a ideia de que filho de político deva estudar em escola pública, assim, talvez, eles deem alguma atenção à essa necessidade tão básica e excluída.
Me deixa puto, também, saber que não são dez, vinte ou trinta pessoas que levam algo tão importante na brincadeira. Milhares serão os votos que alguém completamente nada a ver há de receber nesse ano. Tiririca, velho, Lendro KLB, Kiko KLB..
interminado por falta de possibilidade. é raiva demais pra uma só pessoa
- Peço que respirem 87 segundos.
O dinheiro usado em propagandas e besteiras do mesmo nível nessas eleições, no Ceará, é um dos maiores do Brasil. Com metade desses milhões, os investimentos em educação, saúde, moradia, putamerda, iriam alavancar o desenvolvimento da porra desse estado. Mas não, eles estão mais preocupados em esconder a verdade.
Não posso reclamar calado, como faço agora nem posso, também, generalizar. Sei que há alguém fazendo justiça no Senado, alguns poucos, se fodendo e escondido atrás de trocentos outros que metem a mão no dinheiro suado e sujo de sangue que meus pais recebem no final do mês e me sinto feliz por essa ponta de razão. Apoio a ideia de que filho de político deva estudar em escola pública, assim, talvez, eles deem alguma atenção à essa necessidade tão básica e excluída.
Me deixa puto, também, saber que não são dez, vinte ou trinta pessoas que levam algo tão importante na brincadeira. Milhares serão os votos que alguém completamente nada a ver há de receber nesse ano. Tiririca, velho, Lendro KLB, Kiko KLB..
interminado por falta de possibilidade. é raiva demais pra uma só pessoa
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
O vírus.
'Por não apresentarem a maquinaria metabólica que as células vivas possuem para gerar energia bioquímica e utilizá-la, os vírus são considerados parasitas intracelulares obrigatórios, pois dependem de suas células hospedeiras para se reproduzirem. Fora do ambiente intracelular os vírus são inertes, ou seja, não reagem com outras substâncias. Porém, a capacidade reprodutiva dos vírus é assombrosa: um único vírus é capaz de produzir, em poucas horas, milhões de novos indivíduos.'
Não seria assim tão estranho eu alegar que os vírus não mais estão só na sua classificação. É semelhante à humanidade: o uso irracional até o esgotamento da natureza e a necessidade de ir destruir um outro local é a mesma atividade que o vírus da gripe, por exemplo, exerce. Fora de alguma célula, ele não vive, locomove-se com uso da inércia. Após encontrar um hospedeiro, despeja dna no núcleo da desgraçada, reproduz-se o quanto for necessário, utiliza do material que lá está contido e, quando nada mais sobrar, vai embora.
O preço da estupidez é o de milhares de vidas, muitas delas sem culpa e sem escolha. E dessa angústia, grampeio a ideia da construção de muros, pois onde há paredes, há algo a ser escondido. Eles esconderam a verdade. Nua e crua. E morta. Milenarmente morta, por trás de cada matança, de cada ânsia de um punhado a mais de dinheiro, por trás dos olhos cegos da sociedade, mas não tem mais diferença. Assim como também não tem mais volta.
Já estamos metidos numa guerra que não tem data prévia pro fim, e a Natureza sempre há de vencer.
Não seria assim tão estranho eu alegar que os vírus não mais estão só na sua classificação. É semelhante à humanidade: o uso irracional até o esgotamento da natureza e a necessidade de ir destruir um outro local é a mesma atividade que o vírus da gripe, por exemplo, exerce. Fora de alguma célula, ele não vive, locomove-se com uso da inércia. Após encontrar um hospedeiro, despeja dna no núcleo da desgraçada, reproduz-se o quanto for necessário, utiliza do material que lá está contido e, quando nada mais sobrar, vai embora.
O preço da estupidez é o de milhares de vidas, muitas delas sem culpa e sem escolha. E dessa angústia, grampeio a ideia da construção de muros, pois onde há paredes, há algo a ser escondido. Eles esconderam a verdade. Nua e crua. E morta. Milenarmente morta, por trás de cada matança, de cada ânsia de um punhado a mais de dinheiro, por trás dos olhos cegos da sociedade, mas não tem mais diferença. Assim como também não tem mais volta.
Já estamos metidos numa guerra que não tem data prévia pro fim, e a Natureza sempre há de vencer.
domingo, 22 de agosto de 2010
Tão humano.
Apontar os erros de alguém é uma das atitudes mais fáceis que existe, principalmente se ela está de costas. Difícil mesmo é olhar pros erros que você deixou nas suas, no local onde você não olha. Demonizar um ser é só mais uma forma de autodefesa dessa raça imunda que consome todo este planeta, é, simplesmente, querer afirmar pra alguém aquilo que você queria que fosse verdade: superioridade. E alimenta-se, praguejando-a mais e mais, ao perceber que não é.
Eu lembro quando era mais fácil viver, quando eu sabia mais da minha vida do que outras pessoas, quando a verdade sobre o que eu fiz era maior do que a mentira dos que inventaram. Eu lembro de quando era criança e pra mim, assim como pra todos que hoje cresceram, a existência era uma complexidade povoada de sonhos e pais heróicos. Mas acho que os valores impostos por essa sociedade e vozes falhas são mais fortes do que as palavras que, agora, posso pensar proferir - se é que conseguiria.
Penso se os vícios não tomaram espaços demais nas percepções dos coexistentes, ou se os coexistentes não tomaram espaços demais nos vícios que penso. Nem mais a ordem sei qual é. Sequer deveria estar pensando, não deveria perder meu tempo com essa sujeira que tanto tendo exorcizar.
Ruim é perceber que o pior não é ser falado, e, sim, ser acreditado. A mente, quando vazia, não é oficina do diabo, é oficina do humano.
Eu lembro quando era mais fácil viver, quando eu sabia mais da minha vida do que outras pessoas, quando a verdade sobre o que eu fiz era maior do que a mentira dos que inventaram. Eu lembro de quando era criança e pra mim, assim como pra todos que hoje cresceram, a existência era uma complexidade povoada de sonhos e pais heróicos. Mas acho que os valores impostos por essa sociedade e vozes falhas são mais fortes do que as palavras que, agora, posso pensar proferir - se é que conseguiria.
Penso se os vícios não tomaram espaços demais nas percepções dos coexistentes, ou se os coexistentes não tomaram espaços demais nos vícios que penso. Nem mais a ordem sei qual é. Sequer deveria estar pensando, não deveria perder meu tempo com essa sujeira que tanto tendo exorcizar.
Ruim é perceber que o pior não é ser falado, e, sim, ser acreditado. A mente, quando vazia, não é oficina do diabo, é oficina do humano.
O Centro - O Ego.
A parte do meio, distanciando igualmente todas as direções aos extremos.
-
Núcleo da personalidade do indivíduo, conceito que o mesmo tem de si próprio.
x
O " - " não é o mesmo que 'menos', pelo contrário. É a divisão, literária, do que assombra a humanidade há tempos. A soma, aqui implícita, fica à critério dos negativos que me leem. As conclusões pouco me importam: teu branco pode ser diferente do meu, apesar de tudo ser branco. E apesar de ser no singular, o 'pluri', ironicamente, também é capaz de juntar-se à esse mal.
Mais uma mazela.
-
Núcleo da personalidade do indivíduo, conceito que o mesmo tem de si próprio.
x
O " - " não é o mesmo que 'menos', pelo contrário. É a divisão, literária, do que assombra a humanidade há tempos. A soma, aqui implícita, fica à critério dos negativos que me leem. As conclusões pouco me importam: teu branco pode ser diferente do meu, apesar de tudo ser branco. E apesar de ser no singular, o 'pluri', ironicamente, também é capaz de juntar-se à esse mal.
Mais uma mazela.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
O tempo.
Daqui a dez anos, quinze, ou sei lá quantos anos, quanto de mim ainda haverá em mim? Da loucura, tenho uma teimosa mania de arrancar uma reflexão. As coisas me tem passado tão rapidamente, que quando paro pra olhar o que restou aqui, só sobraram as cicatrizes resultadas da velocidade de mudança nesse corpo.
Tenho saudade daquela voz cansada que vinha à minha cabeça sempre que eu estava só, tenho sido atormentado por alguns novos fantasmas e faço coisas, hoje, que, no passado, seriam impensáveis no meu ser.
Eu já me espantei ao olhar pra trás e ver o quanto de mim ficou jogado nos cantos onde passei. Sim, ficam pedaços. Meus, seus e de qualquer um. É mais ou menos como João e Maria, que deixaram as migalhas de pão no caminho pra saber como voltar pra casa, a diferença é que vemos nossas migalhas de pele, mas não a seguimos. E o passado, o éramos, está lá e continua lá. Intocado na nossa mente, guardado pra nunca mais ser usado, mesmo que queiramos trazer de volta algum sentimento, dia ou coisa do tipo.
É essa impossibilidade na vida que serve de estro pro poetas ou edro seguro pros filósofos.
Não importa qual a sua religão ou sonho, não importa mais nada. Você sempre terá um segundo que nunca está à disposição, um momento único de ligação do passado com um futuro e o motivo é simples: o passado é findado e assim continuará, o futuro é previsível e depende do que acontece pelos atos e o agora é uma dádiva, por isso que se chama presente.
O que é inevitável é não deixar pedaços jogados em alguns lugares.
Tenho saudade daquela voz cansada que vinha à minha cabeça sempre que eu estava só, tenho sido atormentado por alguns novos fantasmas e faço coisas, hoje, que, no passado, seriam impensáveis no meu ser.
Eu já me espantei ao olhar pra trás e ver o quanto de mim ficou jogado nos cantos onde passei. Sim, ficam pedaços. Meus, seus e de qualquer um. É mais ou menos como João e Maria, que deixaram as migalhas de pão no caminho pra saber como voltar pra casa, a diferença é que vemos nossas migalhas de pele, mas não a seguimos. E o passado, o éramos, está lá e continua lá. Intocado na nossa mente, guardado pra nunca mais ser usado, mesmo que queiramos trazer de volta algum sentimento, dia ou coisa do tipo.
É essa impossibilidade na vida que serve de estro pro poetas ou edro seguro pros filósofos.
Não importa qual a sua religão ou sonho, não importa mais nada. Você sempre terá um segundo que nunca está à disposição, um momento único de ligação do passado com um futuro e o motivo é simples: o passado é findado e assim continuará, o futuro é previsível e depende do que acontece pelos atos e o agora é uma dádiva, por isso que se chama presente.
O que é inevitável é não deixar pedaços jogados em alguns lugares.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Hoje, voltando pra casa, notei que havia uma única nuvem no céu. Uma solitária Cumulus. Parei pra pensar, no mesmo instante em que ouvi 'chega de saudade, a realidade é que sem ela, não há beleza, não há paz', no que poderia ter feito as outras nuvens fugirem.
O céu é uma camada que recobre uma esfera tão imensa que se apresenta plana e só havia um único ponto denso de vapor de água. Ou as outras desistiram do que viam, foram atrás de algum lugar mais calmo, juntaram-se à calda de um meteoro, ou simplesmente resolveram tirar férias e viajar, quem sabe, pra praia. Às vezes, acho que a Terra está cansada de nós, que a rotina que tanto reclamamos nessa existência miserável que chamamos de vida, já batuca na testa de um alguém há mais de mil anos.
Temos mirado tanto no egocentrismo que esquecemos do resto tão alicerçado. É igual à evolução da ciência: antes achávamos que éramos o centro do universo e descobrimos que nem no centro do sistema, estamos. Depois, achávamos que estávamos no centro da gálaxia e descobrimos que estamos num braço, basicamente na periferia da Via Láctea. Ao vermos a verdade, notamos que nosso ego cresceu tanto que não sabemos mais nem cultivar a humildade.
E acreditávamos que construir um edifício era o marco da física.
O céu é uma camada que recobre uma esfera tão imensa que se apresenta plana e só havia um único ponto denso de vapor de água. Ou as outras desistiram do que viam, foram atrás de algum lugar mais calmo, juntaram-se à calda de um meteoro, ou simplesmente resolveram tirar férias e viajar, quem sabe, pra praia. Às vezes, acho que a Terra está cansada de nós, que a rotina que tanto reclamamos nessa existência miserável que chamamos de vida, já batuca na testa de um alguém há mais de mil anos.
Temos mirado tanto no egocentrismo que esquecemos do resto tão alicerçado. É igual à evolução da ciência: antes achávamos que éramos o centro do universo e descobrimos que nem no centro do sistema, estamos. Depois, achávamos que estávamos no centro da gálaxia e descobrimos que estamos num braço, basicamente na periferia da Via Láctea. Ao vermos a verdade, notamos que nosso ego cresceu tanto que não sabemos mais nem cultivar a humildade.
E acreditávamos que construir um edifício era o marco da física.
sábado, 7 de agosto de 2010
Há um ano e meio eu recebi mais uma injustiça na minha vida. Não só na minha, na de outras várias pessoas também.
Ele queria ir embora, sonhava em morar no Canadá, mas sabia da impossibilidade financeira da família naquele momento.
- Tudo bem, só saiba que, antes de morrer, eu vou morar lá.
E a mãe, com o coração apertado, deu o velho jeito que só quem tem um filho consegue. E ele foi. Despedi-me tendo a certeza de que a volta seria completada, de que haveria uma continuação, mesmo que fosse breve. Eu sabia que aquela distância poderia trazer alguma mudança na amizade, é algo fundamental na existência. Porém o que veio foi ainda mais gritante, simplesmente por não ter vindo.
Ele morreu.
Mas que lindo pecado da ironia, fazer uma mãe sentir o peso da culpa todo em si e, ao mesmo tempo, não poder aproveitar o semblante que demonstrava a felicidade da cria. Mais uma eventualidade pra abalar os alicerceres daquele conjunto de pessoas.
Até hoje não sei se isso tudo valeu o preço o preço da realização do sonho. Tenho pra mim, sinceramente, que não.
-
Se vês tu uma bagunça em todas as palavras e não achas sentido, peço encarecidamente que vos fodais. Vim aqui pra contornar toda uma histéria e não pra agradar. O faço, unicamente, pra mim.
Ele queria ir embora, sonhava em morar no Canadá, mas sabia da impossibilidade financeira da família naquele momento.
- Tudo bem, só saiba que, antes de morrer, eu vou morar lá.
E a mãe, com o coração apertado, deu o velho jeito que só quem tem um filho consegue. E ele foi. Despedi-me tendo a certeza de que a volta seria completada, de que haveria uma continuação, mesmo que fosse breve. Eu sabia que aquela distância poderia trazer alguma mudança na amizade, é algo fundamental na existência. Porém o que veio foi ainda mais gritante, simplesmente por não ter vindo.
Ele morreu.
Mas que lindo pecado da ironia, fazer uma mãe sentir o peso da culpa todo em si e, ao mesmo tempo, não poder aproveitar o semblante que demonstrava a felicidade da cria. Mais uma eventualidade pra abalar os alicerceres daquele conjunto de pessoas.
Até hoje não sei se isso tudo valeu o preço o preço da realização do sonho. Tenho pra mim, sinceramente, que não.
-
Se vês tu uma bagunça em todas as palavras e não achas sentido, peço encarecidamente que vos fodais. Vim aqui pra contornar toda uma histéria e não pra agradar. O faço, unicamente, pra mim.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Se 'imundo' é sujo, o que é 'mundo'?
Eu sou um romântico, mesmo aos olhos dos que me veem de longe. Não daqueles de que tudo é perfeito, la vie en rose e em pares. Sou um romântico de ímpares, que joga os olhos nos buracos fundos da sociedade e a vê refletida no semblante desgastado de cada ser. Meu mundo é meu, segue minhas regras e a minha limpeza. Janela atrás de janela, carro atrás de carro, montanha atrás de montanha; tudo esteticamente igual, maneiras diferentes de regi-lo. Não pedi pra nascer com essa praga, com essa bênção, com essa loucura ou com essa dádiva, seja lá o nome que isto receba, mas a tenho. Devo usar esta característa como a maneira mais rápida de exorcizar todos cânceres de existem em mim, assim, achando a liberdade. O farei com um certo cuidado, óbvio.
- A liberdade é a porta de entrada da loucura.
E essa oração possui um sentindo inverso bem poderoso, então, insanidade, onde quer que estejas, permaneça onde estás. Sei que é perto de mim, mas não te quero, não te aguento mais.
Atentarei a todos os pensamentos que cairão sobre mim agora mas, antes, eu vou ceder um pouco ao deus que me espera.
- A liberdade é a porta de entrada da loucura.
E essa oração possui um sentindo inverso bem poderoso, então, insanidade, onde quer que estejas, permaneça onde estás. Sei que é perto de mim, mas não te quero, não te aguento mais.
Atentarei a todos os pensamentos que cairão sobre mim agora mas, antes, eu vou ceder um pouco ao deus que me espera.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Quebra.
É engraçado a quantidade imensa de orações que nos aparece quando os sentimentos afloram. E a mesma graça recai na gramática, já que essa foge das mãos de quem precisa quando mais se tem.
domingo, 1 de agosto de 2010
Início.
Já tive vários outros momentos de vontade de tornar público um gosto meu. Escrever, mesmo que eu não o faça tão bem quanto muitos, ao critério de uns ou de outros, é uma necessidade enorme no coração de quem vos fala. Mostrar ao mundo como o faço sempre foi uma vontade minha e, agora, eu achei o momento que julgo ser certo.
Jogo, aqui, agora, algumas palavras que já saem um tanto sem ritmo, todas síntese da loucura.
Direi que não ligo pro que vão dizer ou achar, tenho a mente sã quanto isso que deixarei escrito por trás dessas letras inexperientes e a crítica que tanto penso em tornar explícita será mais uma ironia do que uma confissão.
- A existência é uma combinação perfeita de caos e egoísmo que, algumas poucas vezes, acerta e nasce algo harmonioso.
E dessa frase deixo claro o que quero dizer, tanto no quesito do ódio que derramo agora, quanto no medo de uns fatos enumerados, no qual eu perco a conta, mas só faço questão de jogar aqui um: a gramática sendo extendida.
Ao voltar pra loucura que me deu força pra criar isso agora, digo que não quero ter o gosto disso na minha boca. O amargo do egoísmo humano tem um poder tão grande, que eu ouso o comparar com um ácido qualquer, às vezes forte, às vezes fraco, mas, sempre, ácido. Mortal ou não, ácido.
Olhos, vocês que me veem, chorem. Vos peço com uma mão levantada, como quem clama perdão, e que percebam, além de tudo, o pedido desesperado que está gritando sufocado aqui.
Pros que entenderam, humanidade.
Jogo, aqui, agora, algumas palavras que já saem um tanto sem ritmo, todas síntese da loucura.
Direi que não ligo pro que vão dizer ou achar, tenho a mente sã quanto isso que deixarei escrito por trás dessas letras inexperientes e a crítica que tanto penso em tornar explícita será mais uma ironia do que uma confissão.
- A existência é uma combinação perfeita de caos e egoísmo que, algumas poucas vezes, acerta e nasce algo harmonioso.
E dessa frase deixo claro o que quero dizer, tanto no quesito do ódio que derramo agora, quanto no medo de uns fatos enumerados, no qual eu perco a conta, mas só faço questão de jogar aqui um: a gramática sendo extendida.
Ao voltar pra loucura que me deu força pra criar isso agora, digo que não quero ter o gosto disso na minha boca. O amargo do egoísmo humano tem um poder tão grande, que eu ouso o comparar com um ácido qualquer, às vezes forte, às vezes fraco, mas, sempre, ácido. Mortal ou não, ácido.
Olhos, vocês que me veem, chorem. Vos peço com uma mão levantada, como quem clama perdão, e que percebam, além de tudo, o pedido desesperado que está gritando sufocado aqui.
Pros que entenderam, humanidade.
Assinar:
Comentários (Atom)